Percepção 49 – Manhã de 20/04/2013

O dia amanheceu com o céu parcialmente encoberto e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva forte que caiu durante a madrugada produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 21,9C, às seis e cinquenta e oito dessa trigésima segunda manhã de outono.

A passarada esteve muito discreta nas primeiras horas de claridade. Só alguns cantos e trinados distantes. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Consegui um clique do bem-te-vi quando ele observou a pracinha do ponto mais alto da mangueira.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

não pensar no bem,
em total abandono,
não pensar no mal…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas molhadas

Reflexos na poça d´água

Reflexos na poça

Quadrante sudeste

Setor sulsudeste

Setor sulsudoeste

Quadrante sudoeste

Panoramica

Bem-te-vi na mangueira

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Percepção 31 – Manhã de 05/04/2013

O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas sequinhas. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu encoberto em todo o horizonte, e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 25,5C, às seis e nove dessa décima sétima manhã de outono.

A passarada deu sinal com vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se aproximou bastante e apresentei as minhas boas-vindas ao seu canto estridente. Bom dia! Um gavião enorme foi clicado, quase invisível que estava, com sua camuflagem natural contra as folhas do galho mais alto da mangueira.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões a inspiração para um breve haicai:

em transformação,
a fonte de tudo… ah!
momento presente!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Piso seco

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Gavião camuflado

Percepção 24 – Manhã de 29/03/2013

O dia amanheceu novamente completamente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. Muitas poças d´água refletiam trechos de céu azul e as folhagens da pracinha. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu cinzento e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 22,9C, às seis e cinquenta e cinco dessa décima manhã de outono.

Cerca de uma hora depois, a nebulosidade se dissipou e o céu mostrou trechos de azul profundo, indicando um prognóstico de bom tempo ao longo do dia. Observei atentamente quando os primeiros raios de sol iluminaram as copas das árvores, fazendo a paisagem cinzenta explodir em verde clorofila. Meu coração agradecido pulsou sorridente.

A passarada esteve discreta neste início de manhã. Alguns cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se apresentou mais tarde e trouxe consigo um bando de amigos. Apreciou a paisagem do galho mais alto da mangueira, como costuma fazer quase todos os dias, antes de esvoaçar por sobre o seu território. Seu canto estridente sempre me inspira:

quebra o silêncio
o canto do bem-te-vi
manhã de outono

Vários pássaros caminharam tranquilamente pelo chão da pracinha, ruas e calçadas das redondezas, em busca de pequenos insetos. A rolinha, do seu observatório na luminária, planejou cuidadosamente seus movimentos, antes de alçar novos voos.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, um cão em particular chamou minha atenção. Parecia estar só, sem seu dono, e perambulou pelas ruas e calçadas molhadas. Seu pelo castanho fazia um belo contraste contra o asfalto, quando visto daqui de cima. Alheio ao calendário e do feriado da Semana Santa, vivia o seu dia de cão… Inspiração para um breve haicai:

são só o que são
sexta-feira da paixão
um dia de cão

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal
Vídeo: O canto e o comportamento do bem-te-vi

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Poças d´água

Reflexos na poça d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Nuvens brancas e céu azul

Raios de sol na folhagem

Bem-te-vi na mangueira

Rolinha na luminária.

Em busca de água e comida

Percepção 21 – Manhã de 27/03/2013

O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu carregado de nuvens e quase nenhuma brisa. Temperatura de 24,4C, às seis e trinta e oito dessa oitava manhã de outono.

A passarada voltou! Cantos e trinados por todos os lados, dos telhados da vizinhança às folhagens das árvores da pracinha. Meu amigo bem-te-vi foi clicado várias vezes nas antenas da vizinhança, na mangueira e no alto do pinheiro. Hoje, até as aves aquáticas romperam o céu e o silêncio. Sons estridentes no voo em formação.

Ninguém na pracinha para observar as orquídeas solitárias, agarradas aos troncos das árvores… Na varanda, uma jovem samambaia aproveita o frescor da manhã, em minha companhia.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nos reflexos dos vasos de plantas nos vidros da varanda. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

o meu trabalho,
continuação de algo…
ah! que não tem fim!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Bem-te-vi no pinheiro

Bem-te-vi na mangueira

Aves aquáticas em formação

Pracinha vazia

Jovem samambaia

Percepção 13 – Manhã de 19/03/2013

A chuva intermitente, que persistiu durante o dia e a noite de ontem, se estendeu pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. A grade e o parapeito da varanda apresentam um delicado mosaico de gotas de chuva e grãos de poeira. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Nuvens cinzentas por toda parte e um vento fraco, agitando as copas das árvores, indicando que a frente fria permanece e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 22,6C, às seis e dez da manhã, a mais baixa das últimas semanas.

O entregador de jornal, em sua bicicleta, driblando as poças d´água, protege sua carga perecível com plástico transparente e a atira com precisão nos degraus da entrada do prédio. Nosso porteiro irá recolhê-la, em breve, e trazer as manchetes, normalmente de teor preocupante, até a minha porta. Oportunidade para praticar uma “Dieta de Notícias” e filtrar só o que me interessa e faz bem para o espírito.

A passarada, com o vento fraco, afirma sua presença com alegre cantoria. Meu amigo bem-te-vi, que ontem só apareceu mais tarde, já assinou o seu cartão de ponto bem cedo e observa o mundo empoleirado em uma antena de TV e, depois, no galho mais alto da mangueira.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em leve movimento, em sincronia com o vento fraco. Da leitura e reflexões do I Ching, que retomei a partir das cinco da manhã, quando não consegui mais conciliar o sono, inspiração para um breve haicai:

aquele que, bem
sabe o que procura,
pode encontrar…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Grade molhada

Parapeito molhado

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Entregador de jornais

Bem-te-vi na TV

Bem-te-vi na mangueira

Percepção 9 – Manhã de 15/03/2013

Depois de mais uma noite chuvosa, o dia amanhece ainda com uma grande cobertura de nuvens e com as ruas e calçadas molhadas. Temperatura de 24,7C, às seis e três da manhã. Fiz alguns registros fotográficos do reflexo das árvores nas poças d´água.

Pelo menos não está chovendo e parece que o tempo vai melhorar ao longo do dia. A passarada pressente esse prognóstico favorável e enche o ar com cantos de todos os tipos. Meu amigo bem-te-vi apareceu bem cedo, e não estava só. Veio acompanhado de uma companheira, ou companheiro, quem sabe? E esvoaçaram em dupla pelas árvores e telhados da vizinhança. Consegui um clique da dupla no galho mais alto da mangueira. Em outro momento, só um deles por entre as folhas do coqueiro.

Dois ônibus escolares diferentes vieram, bem cedo, buscar crianças da vizinhança… Saíram silenciosas… Deviam estar sonolentas…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, mantive o olhar na folhagem da amendoeira que tenho diante da varanda. Essa mesma árvore que já inspirou um post em outro blog, na Garrafa 349, e um breve haicai, em uma noite em que não conseguia conciliar o sono:

folhas ao vento,
pessoas que se foram,
acenos de mão…

Interrompi minhas reflexões, depois da meditação, com um pedido da minha filha mais nova, aniversariante de hoje, para levá-la de carro até o ponto do ônibus. Usava um salto impossível!

Feliz aniversário!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Cobertura de nuvens

Reflexos do coqueiro

Transporte escolar

Dois bem-te-vis

Bem-te-vi no coqueiro