Percepção 57 – Manhã de 27/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Apenas poucas nuvens de grande altitude movendo-se lentamente, uma leve gaze branca muito esparsa em todos os quadrantes não impedia a visão do céu azul claro. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das árvores da pracinha. Temperatura de 21,0C, às sete e dez dessa trigésima nona manhã de outono.

A passarada, aproveitando mais um dia espetacular, esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, no meio da folhagem das amendoeiras. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a releitura de “A lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, apreciando a lenta passagem das nuvens, a inspiração para um breve haicai:

mente de Buda
nem segura nem rejeita
seis nuvens brancas

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Percepção 56 – Manhã de 26/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Algumas nuvens de grande altitude, uma leve gaze branca em todos os quadrantes não impedia a visão do céu azul claro. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das árvores da pracinha. Temperatura de 20,3C, às seis e vinte dessa trigésima oitava manhã de outono.

A passarada, aproveitando mais um dia espetacular, esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, quando se aproximou e pousou na folhagem do coqueiro. Alguns cliques registraram sua plumagem, enquanto a pomba, que só às vezes aparece, marcou sua presença na antena de TV.

O entregador de jornais já espalhou as manchetes do dia na calçada de entrada do prédio: Conflito de vaidades entre integrantes dos “Poderes” da República. Oportunidade para a prática de uma “Dieta de Notícias”. Se o tema principal é vaidade, vou direto para a revista com a moça bonita na capa…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a releitura de “Hai-Quase” com os escritos poéticos de Fernando Sérgio Lira e Sidney Wanderley, um poema curto de Fernando Sérgio chamou minha atenção, enquanto ouvia a algazarra da passarada:

sei esse barulho:
algazarra de pardais
ou hora do recreio

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Bem-te-vi no coqueiro

Pomba na antena de TV

Manchetes do dia

Percepção 55 – Manhã de 25/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Algumas nuvens de grande altitude, uma leve gaze branca, apenas no quadrante sudeste permitiam a visão do céu azul em todas as direções. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 20,4C, às seis e vinte quatro dessa trigésima sétima manhã de outono.

A passarada esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, enquanto se ocultava na folhagem do ipê. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

sempre na muda
sob o meu calcanhar
caminho de Buda…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Percepção 54 – Manhã de 24/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Algumas nuvens apenas no setor sul permitiam a visão do céu azul em todas as direções. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 20,6C, às seis e treze dessa trigésima sexta manhã de outono.

A passarada esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, enquanto se ocultava na folhagem do algodoeiro. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

respeitosamente,
penetrar corpo e mente,
flecha sem alvo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Percepção 51 – Manhã de 21/04/2013

O dia amanheceu com o céu parcialmente encoberto e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu durante a madrugada produziu poças d´água que ainda refletiam pequenos trechos de céu azul entre flocos de nuvens brancas e as árvores da pracinha nesse início de manhã. No quadrante sudoeste as nuvens já eram bem mais raras predominando o céu claro. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 22,3C, às seis e quarenta e nove dessa trigésima terceira manhã de outono.

As plantas da varanda e do jardim da pracinha aproveitavam a fresca humidade deixada pelo orvalho da madrugada, preparando-se para enfrentar o aumento de temperatura previsto para o resto do dia. A azaleia, em especial, mostrava orgulhosa sua floração cor de rosa. A vegetação se adapta a cada estação, seja inverno, seja verão…

A passarada esteve muito discreta nas primeiras horas de claridade. Só alguns cantos e trinados distantes. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, buscando o melhor ajuste para as mudanças de temperatura ao início da manhã, inspiração para um breve haicai:

quente no inverno,
almofada do Buda,
fresca no verão…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Poças d´água

Reflexos nas poças

Close da poça d´água

Setor sulsudoeste

Panoramica

Plantas da varanda

Percepção 47 – Manhã de 18/04/2013

O dia amanheceu com o céu azul e com as ruas e calçadas sequinhas. Apenas algumas poucas nuvens brancas no quadrante sudoeste. Céu claro nos quadrantes sudeste e sul. Vento moderado de sudoeste, temperatura de 21,2C, às seis e doze dessa trigésima manhã de outono.

A passarada trouxe seus cantos e trinados para perto da varanda e o bem-te-vi marcou presença. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nesta manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, saí de casa bem cedo para ministrar um treinamento em uma Universidade, no Rio de Janeiro.

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Setor sulsudeste

Setor sulsudoeste

Quadrante sudoeste

Percepção 46 – Manhã de 17/04/2013

O dia amanheceu com o céu azul e com as ruas e calçadas sequinhas. Algumas nuvens brancas nos quadrantes sudeste e sul e céu claro no quadrante sudoeste. Vento moderado de sudoeste, temperatura de 22,6C, às seis e trinta e um dessa vigésima nona manhã de outono.

Bandos de andorinhas e de cambaxirras fizeram grande algazarra no céu nas primeiras horas de claridade e a ressaca no mar podia ser ouvida ao longe, enquanto aves aquáticas rumavam em direção à arrebentação.

A passarada trouxe seus cantos e trinados para perto da varanda e o grito estridente do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido em todos os quadrantes. Cliquei meu amigo emplumado em uma antena de TV, junto com outro companheiro.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, o ruído da arrebentação, ao longe, ofereceu inspiração para um breve haicai:

da deusa Gaia
leve indisposição
ressaca na praia

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Setor sulsudeste

Setor sulsudoeste

Quadrante sudoeste

Panoramica

Bem-te-vis na TV

Percepção 44 – Manhã de 16/04/2013

O dia amanheceu com o céu totalmente azul e com as ruas e calçadas ainda um pouco molhadas. A chuva leve que caiu em vários momentos durante o dia de ontem não se estendeu pela noite e madrugada. Nem uma única nuvem sequer no céu claro, enquanto uma brisa fresca fazia a folhagem das copas das árvores acenarem suavemente. Temperatura de 20,9C, às sete e treze dessa vigésima oitava manhã de outono.

Algumas fragatas cruzavam o céu tranquilamente enquanto pequenos grupos de andorinhas dominavam a pracinha fazendo voos rasantes nas copas das árvores.

A passarada esteve em festa desde cedo. Vários cantos e trinados por todos os lados. O grito estridente do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido em todos os quadrantes. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

As plantas da varanda pareciam advinhar o céu azul espetacular e se enfeitaram de clorofila e cores. Avencas, samambaias, flores rosadas da azaleia e uma folha novinha em folha, verdinha, de uma mudinha de pé de graviola, a mais nova da varanda.

novo em folha
o broto se desdobra
faz sua escolha

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, a queda de um coco na pracinha ofereceu inspiração para um breve haicai:

ruído oco…
tum! do coqueiro-anão,
queda do coco.

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas húmidas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Voo da fragata

Samambaias

Novinha em folha

Azaleia

Percepção 40 – Manhã de 12/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu claro e com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. O vento moderado de sudoeste que tem soprado nas últimas semanas levou para longe a camada de nuvens que se instalou no início da noite de ontem. No céu de azul ainda pálido, só nuvens de altitude ligeiramente cor de rosa iluminadas pelos primeiros raios de sol, em todos os quadrantes. Ar quase parado ao nível do mar, temperatura de 24,1C, às cinco e cinquenta e três dessa vigésima quarta manhã de outono.

As luzes da pracinha ainda estavam acesas, antes das seis horas da manhã, e a luminária iluminava as folhas e flores do algodoeiro. O entregador de jornais já deixou sua carga de informações alarmantes. Oportunidade para a minha “Dieta de Notícias”.

A passarada esteve muito animada desde cedo. Muitos cantos e trinados por todos os lados, quebrando o silêncio da madrugada. Andorinhas, bandos de cambaxirras, sabiás e tico-ticos cruzaram os céus em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e depois bem perto. Ele percorreu a copa do algodoeiro, das amendoeiras e do balançou-se levemente nas folhas do coqueiro. Nenhum clique dessa vez.

Várias folhas secas se desprenderam das amendoeiras, movidas pela brisa da madrugada e da manhã, dando trabalho para os porteiros dos edifícios para manter limpas suas respectivas calçadas e ruas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

passo a passo,
esforço sem desejo,
abro caminho…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Banco da amendoeira

Iluminado o algodoeiro

Pracinha deserta

Manchetes do jornal

Percepção 38 – Tarde de 11/04/2013

O vento sudoeste carregou quase todas as nuvens que estavam presentes no início da manhã. Céu claro em todos os quadrantes e temperatura de 27,3C às doze e trinta e seis dessa bela tarde de outono.

Hoje, depois de minha caminhada matinal, mantive conversa bastante instrutiva com a dupla de jardineiros que mantém o jardim da nossa associação de moradores. Cortavam a grama e retiravam ervas daninhas, observados por borboletinhas amarelas. Agora já sei o nome de cada uma das espécies de árvores que avisto da varanda e com quem converso quando fico mais tempo perambulando na pracinha. Um Algodoeiro, três Ipês, vários Ficus, duas Amendoeiras, duas Goiabeiras, uma Jabuticabeira, um Abacateiro, um Pé de graviola, três Coqueiros-anões e uma Palmeira Areca.

Na volta pra casa, lembrei do haicai de Rosa Clement:

hora da caminhada
bando de borboletas
segue o jardineiro

Essa pérola de delicadeza foi publicada no numero de fevereiro de 2001 da revista Frogpond, órgão oficial da Haiku Society of America.

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste