Percepção 52 – Manhã de 22/04/2013

O dia amanheceu com o céu encoberto e com as ruas e calçadas ainda molhadas. A chuva leve que caiu durante a madrugada produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 21,3C, às seis e dezessete dessa trigésima quarta manhã de outono.

A passarada esteve muito discreta nas primeiras horas de claridade. Só alguns cantos e trinados distantes. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e, depois, no ponto mais alto da mangueira. Apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Um gavião sobrevoou a pracinha e as antenas de TV da vizinhança, assustando meus amigos emplumados.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, buscando a melhor posição do corpo para silenciar a mente, inspiração para um breve haicai:

corpo ereto,
na posição de lótus,
completa mente…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas molhadas

Reflexos na poça d´água

Panoramica

Bem-te-vi na mangueira

Decolagem do gavião

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Percepção 51 – Manhã de 21/04/2013

O dia amanheceu com o céu parcialmente encoberto e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu durante a madrugada produziu poças d´água que ainda refletiam pequenos trechos de céu azul entre flocos de nuvens brancas e as árvores da pracinha nesse início de manhã. No quadrante sudoeste as nuvens já eram bem mais raras predominando o céu claro. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 22,3C, às seis e quarenta e nove dessa trigésima terceira manhã de outono.

As plantas da varanda e do jardim da pracinha aproveitavam a fresca humidade deixada pelo orvalho da madrugada, preparando-se para enfrentar o aumento de temperatura previsto para o resto do dia. A azaleia, em especial, mostrava orgulhosa sua floração cor de rosa. A vegetação se adapta a cada estação, seja inverno, seja verão…

A passarada esteve muito discreta nas primeiras horas de claridade. Só alguns cantos e trinados distantes. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, buscando o melhor ajuste para as mudanças de temperatura ao início da manhã, inspiração para um breve haicai:

quente no inverno,
almofada do Buda,
fresca no verão…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Poças d´água

Reflexos nas poças

Close da poça d´água

Setor sulsudoeste

Panoramica

Plantas da varanda

Percepção 43 – Manhã de 15/04/2013

O dia amanheceu com o céu totalmente encoberto e ainda com as ruas e calçadas molhadas. A chuva forte que caiu em vários momentos durante o dia e noite de ontem produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Quase nenhuma brisa pela ausência de movimento na folhagem das amendoeiras, enquanto as luminárias ainda permaneciam acesas. Temperatura de 21,8C, às seis e dezesseis dessa vigésima sétima manhã de outono.

Só algumas fragatas cruzavam o céu acinzentado, em pequenos grupos e a baixa altitude, enquanto os dois ônibus escolares recolhiam suas crianças sonolentas e encasacadas.

A passarada esteve muito discreta desde cedo. Só alguns cantos e trinados distantes. Provavelmente preocupadas com questões relacionadas à paz mundial e ao futuro da humanidade, diante da possibilidade de detonação de artefatos nucleares no Oceano “Pacífico”, nenhuma pomba foi avistada nas antenas de TV das redondezas. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, só foi ouvido ao longe e apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

deixo o passado,
em busca do caminho,
deixo o futuro…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua  e calçadas molhadas

Rua e calçadas com folhas secas

Poças d´água

Luminária acesa

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Percepção 42 – Manhã de 14/04/2013

O dia amanheceu com o céu totalmente encoberto e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva forte que caiu ao início da noite de ontem produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Quase nenhuma brisa pela ausência de movimento na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 24,1C, às sete e quarenta e dois dessa vigésima sexta manhã de outono.

Só algumas fragatas voavam em pequenos grupos, a baixa altitude, contra o céu acinzentado enquanto as plantas da varanda e do jardim aproveitavam o ar húmido e fresco.

A passarada esteve muito discreta desde cedo. Só alguns cantos e trinados distantes. Nenhuma pomba avistada nas antenas de TV das redondezas. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, só foi ouvido ao longe. Nenhum clique de sua aproximação, nessa manhã.

Pracinha vazia, somente um cão, sem seu dono, esfregou prazerosamente seu pelo na grama molhada do jardim. Tenho uma daquelas mãozinhas japonesas, de madeira, para coçar minhas costas onde a mão não alcança. Mas o melhor mesmo é quando alguém nos toca onde a pele anseia pelo toque. Nesses momentos, esqueço-me de mim…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

esqueço de mim
nada disso é o eu
cá não há nenhum… (nem um…)

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas molhadas

Reflexos na poça d´água

Poça d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Plantas da varanda

Cão com coceira

Percepção 24 – Manhã de 29/03/2013

O dia amanheceu novamente completamente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. Muitas poças d´água refletiam trechos de céu azul e as folhagens da pracinha. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu cinzento e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 22,9C, às seis e cinquenta e cinco dessa décima manhã de outono.

Cerca de uma hora depois, a nebulosidade se dissipou e o céu mostrou trechos de azul profundo, indicando um prognóstico de bom tempo ao longo do dia. Observei atentamente quando os primeiros raios de sol iluminaram as copas das árvores, fazendo a paisagem cinzenta explodir em verde clorofila. Meu coração agradecido pulsou sorridente.

A passarada esteve discreta neste início de manhã. Alguns cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se apresentou mais tarde e trouxe consigo um bando de amigos. Apreciou a paisagem do galho mais alto da mangueira, como costuma fazer quase todos os dias, antes de esvoaçar por sobre o seu território. Seu canto estridente sempre me inspira:

quebra o silêncio
o canto do bem-te-vi
manhã de outono

Vários pássaros caminharam tranquilamente pelo chão da pracinha, ruas e calçadas das redondezas, em busca de pequenos insetos. A rolinha, do seu observatório na luminária, planejou cuidadosamente seus movimentos, antes de alçar novos voos.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, um cão em particular chamou minha atenção. Parecia estar só, sem seu dono, e perambulou pelas ruas e calçadas molhadas. Seu pelo castanho fazia um belo contraste contra o asfalto, quando visto daqui de cima. Alheio ao calendário e do feriado da Semana Santa, vivia o seu dia de cão… Inspiração para um breve haicai:

são só o que são
sexta-feira da paixão
um dia de cão

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal
Vídeo: O canto e o comportamento do bem-te-vi

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Poças d´água

Reflexos na poça d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Nuvens brancas e céu azul

Raios de sol na folhagem

Bem-te-vi na mangueira

Rolinha na luminária.

Em busca de água e comida

Percepção 20 – Manhã de 26/03/2013

O dia amanheceu nublado, mas as ruas e calçadas estavam secas. Sem chuva nessa madrugada. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu carregado de nuvens e quase nenhuma brisa. Mas podemos ver pequenos trechos de céu azul por trás da grossa camada de nebulosidade. Temperatura de 24,8C, às seis e quarenta e quatro dessa sétima manhã de outono.

A passarada, a exemplo das últimas manhãs, esteve muito discreta. Cantos e trinados distantes, dos telhados da vizinhança. Ouvi meu amigo bem-te-vi à distância.

Ninguém na pracinha para observar a orquídea solitária, enquanto um pequeno helicóptero cruzou o céu de leste a oeste, provavelmente sobrevoando a orla marítima em direção ao Recreio dos Bandeirantes…

Diversos lápis de cor ao lado da janela do quarto da minha filha esperaram em vão por alguém que os utilizasse para escrever alguma mensagem importante… Uma carta de amor? Um desenho colorido?

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nos reflexos da varanda no vidro da porta da sala. Nas reflexões da manhã vieram à lembrança os versos de um haicai postado no ano passado, na Garrafa 336, em outro Blog:

flores no jarro,
arrancadas da terra!
saudades do campo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Orquídea solitária

Sobrevoo de helicóptero

Lapis coloridos

Reflexos da varanda

Percepção 18 – Manhã de 24/03/2013

Mais uma madrugada chuvosa… O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas molhadas. As poças d´água refletem os automóveis e as folhagens das árvores da pracinha. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu cinzento e quase nenhuma brisa. Temperatura de 25C, às seis e quarenta e nove dessa quinta manhã de outono.

A passarada, a exemplo da manhã de ontem, está silenciosa. Cantos e trinados emitidos com economia, do meio das folhagens. Meu amigo bem-te-vi não me abandona. Olá! Dormiu bem? Seja bem-vindo!

Desânimo de alguns, alegria de outros. No jardim da pracinha e nos vasos da vizinhança as plantas parecem agradecer pela chuva da madrugada. Vaidosas, orquídeas em festa admiram seu próprio reflexo no vidro da varanda.

Mais tarde, ainda pela manhã, tenho um encontro com uma árvore querida que foi brutalmente atacada em Copacabana, há algumas semanas. Alguns dos seus amigos, e entre eles me incluo, farão uma manifestação pacífica pela sua preservação. Cuidar do corpo é cuidar da mente. Cuidar da mente é cuidar do corpo. Farei um breve exame de corpo de delito, fotografando respeitosamente minha amiga mutilada, seu “corpo-mente”. E pretendo conhecer algumas pessoas de quem só tenho notícia pelas redes sociais. Amigos do Assacu da Pompeu Loureiro são meus amigos também.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens quase sem movimento, pela brisa muito suave. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

cuidar do mundo,
cuidar do corpo-mente,
é cuidar de mim!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Reflexos nas poças d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Plantas da varanda

Orquídea na varanda