Percepção 37 – Manhã de 11/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu carregado de nuvens cinzentas, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. Como tem acontecido nos últimos dias, a paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu completamente nublado em todos os quadrantes. O vento moderado de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e reduzindo a cobertura de nuvens baixas. As nuvens cinzentas foram substituídas por nuvens brancas e grandes trechos de céu azul surgiram por todos os lados. Temperatura de 24,6C, às seis e trinta e seis dessa vigésima terceira manhã de outono.

A passarada esteve muito silenciosa. Só alguns poucos cantos e trinados distantes, nos telhados da vizinhança. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, só foi ouvido ao longe e pude avistá-lo em uma antena de TV. Um beija-flor azul marinho foi quem se aproximou e pousou na fiação da rua. Desapareceu da minha vista tão rapidamente quanto surgiu.

Correntes térmicas fizeram com que muitas aves pairassem em círculos a grande altitude, às vezes desaparecendo dentro das nuvens. Gaivotas, outras aves aquáticas e urubus economizaram energia enquanto apreciavam a paisagem do alto da manhã.

Um gavião sobrevoou as árvores próximas várias vezes justificando o sumiço da passarinhada. E um gato caçador patrulhou a grama e as folhagens da pracinha. Testemunhei, com espanto, quando ele capturou uma rolinha, em um pequeno arbusto, no terreno ao lado, em início de obras para dar lugar a um novo edifício.

Várias folhas secas se desprenderam das amendoeiras, movidas pela brisa da manhã, enquanto observava a paisagem.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, acompanhando o voo cego das folhas secas, inspiração para um breve haicai:

com desapego
se lançam no espaço
as folhas secas

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste antes

Quadrante sudeste depois

Ao sul do céu antes

Ao sul do céu depois

Quadrante sudoeste antes

Quadrante sudoeste depois

Bem-te-vi na TV

Gato caçador

Folhas secas

Percepção 36 – Manhã de 10/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu carregado de nuvens cinzentas, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Sem chuva durante a madrugada. A paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu completamente nublado no quadrante sudeste e com trechos de céu azul começando a aparecer nos quadrantes sul e sudoeste. O vento moderado de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e reduzindo a cobertura de nuvens baixas. Temperatura de 25,4C, às seis e trinta e seis dessa vigésima segunda manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol acima das nuvens. Grupos de cambaxirras e de andorinhas se encarregaram de organizar sua algazarra matinal. E o canto estridente do meu amigo bem-te-vi, sempre o primeiro, anunciou o novo dia. Sua aproximação curiosa permitiu vários cliques. Primeiro, no alto do pinheiro, e depois, nas folhas do coqueiro e no poste da pracinha. Dessa vez, vi quando ele hesitou e pousou no parapeito da varanda do andar de baixo, ao invés da minha.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, ouvindo o canto do bem-te-vi, inspiração para um breve haicai:

performático,
o canto do bem-te-vi
é lusófono…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas

Rua e calçadas 2

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Camadas de nuvens

Bem-te-vi no pinheiro

Bem-te-vi no coqueiro

Bem-te-vi no poste

Percepção 35 – Manhã de 09/04/2013

O dia amanheceu com céu carregado de nuvens cinzentas, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Não choveu durante a madrugada. A paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu completamente nublado no quadrante sudeste e com trechos de céu azul começando a aparecer nos quadrantes sul e sudoeste. O vento moderado de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e reduzindo a cobertura de nuvens baixas. Temperatura de 24,1C, às seis e dezenove dessa vigésima primeira manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol acima das nuvens. A algazarra das cambaxirras me transportou para diversos cenários da infância. Já meu amigo bem-te-vi iluminou o dia com seu canto estridente e se aproximou bastante nesta manhã. Consegui um bom clique quando ele estava nas folhas do coqueiro. Parece que está ficando cada vez mais confiante com a minha proximidade e presença e, pela primeira vez, pousou no parapeito da varanda, ficando quase ao alcance da mão! Mas não fui suficientemente rápido para obter um instantâneo desse momento. Trocamos um longo olhar de curiosidade e ele alçou voo novamente. Motivo de celebração.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, olho no olho com o bem-te-vi, inspiração para um breve haicai:

curiosidade
no olhar do bem-te-vi
quando bem-me-viu

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Trechos de céu azul

Bem-te-vi no coqueiro

Percepção 32 – Manhã de 06/04/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. Algumas poças d´água persistiam apesar da chuva ter parado há muito tempo, durante a madrugada. A paisagem mudou várias vezes nas primeiras horas de claridade. Inicialmente nebulosidade moderada nos quadrantes sudeste e sul e nuvens mais carregadas no quadrante sudoeste. Mas o vento forte de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e as nuvens cinzentas foram substituídas por nuvens cor de rosa e brancas, de todos os tipos e em vários níveis de altitude. Temperatura de 25,6C, às cinco e cinquenta e cinco dessa décima oitava manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se aproximou bastante e foi clicado no galho mais alto da amendoeira. Azulões e cambaxirras disputaram espaço e se alternaram nas folhagens do coqueiro.

Um cão e seu dono fizeram brincadeiras com uma bolinha, que era lançada e alegremente trazida de volta, recuperada do meio das folhagens da pracinha. Tanto um quanto o outro aproveitaram a manhã para dedicar toda a atenção que podiam um ao outro e àquela atividade.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões com a leitura de “Zen no trabalho”, alguns parágrafos chamaram minha atenção: “Quando tratamos alguém com indiferença, achamos que já sabemos tudo o que temos de saber sobre ele, que não há nada novo, que não é mais necessário lhe dar muita atenção… Começamos a tratar as coisas e pessoas com indiferença quando nós mesmos nos tratamos com indiferença.”

Inspiração para um breve haicai:

indiferença…
morremos por dentro… ah!
nada de novo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua  e calçadas molhadas

Quadrante sudeste 1

Quadrante sudeste 2

Quadrante sudeste 3

Ao sul do céu 1

Ao sul do céu 2

Ao sul do céu 3

Ao sul do céu 4

Quadrante sudoeste 1

Quadrante sudoeste 2

Quadrante sudoeste 3

Quadrante sudoeste 4

Nuvens de altitude 1

Nuvens de altitude 2

Bem-te-vi na amendoeira 1

Bem-te-vi na amendoeira 2

Cadê a bolinha?

Percepção 15 – Manhã de 21/03/2013

A noite foi nublada e abafada e o dia amanheceu com as ruas e calçadas sequinhas. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Nuvens cinzentas por toda parte e nenhuma brisa, ar parado no nível do mar. Prognóstico de mais um dia com grande nebulosidade, tarde abafada e possibilidade de chuva fraca. Temperatura de 24,8C, às seis e cinquenta e quatro dessa segunda manhã de outono.

A passarada despareceu! Só o canto distante, em outra freguesia… Meu amigo bem-te-vi está, certamente, em outro arvoredo. E a explicação não tardou a aparecer: o gato fazia sua ronda no chão da pracinha e um gavião passou em um rasante espetacular, atrás de uma rolinha esbaforida… Ameaça predatória em cima e em baixo. Não os culpo pelo afastamento. Só vi muitas aves aquáticas em formação de vários indivíduos, em pequenos grupos ou em duplas, voando bem mais alto que a copa das árvores.

Ninguém tem usado a sala de musculação e a piscina do condomínio, nas últimas semanas…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens sem movimento, pela ausência de vento. Da leitura e reflexões do I Ching, enquanto esperava o regresso dos meus amigos emplumados, inspiração para um breve haicai:

saber esperar!
a pressa nos afasta
do que buscamos…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Ruas e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Aves no rumo sul do cáu

Quadrante sudoeste

Aves aquáticas em formação

Sala de musculação e piscina

Folhagem da amendoeira

Percepção 13 – Manhã de 19/03/2013

A chuva intermitente, que persistiu durante o dia e a noite de ontem, se estendeu pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. A grade e o parapeito da varanda apresentam um delicado mosaico de gotas de chuva e grãos de poeira. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Nuvens cinzentas por toda parte e um vento fraco, agitando as copas das árvores, indicando que a frente fria permanece e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 22,6C, às seis e dez da manhã, a mais baixa das últimas semanas.

O entregador de jornal, em sua bicicleta, driblando as poças d´água, protege sua carga perecível com plástico transparente e a atira com precisão nos degraus da entrada do prédio. Nosso porteiro irá recolhê-la, em breve, e trazer as manchetes, normalmente de teor preocupante, até a minha porta. Oportunidade para praticar uma “Dieta de Notícias” e filtrar só o que me interessa e faz bem para o espírito.

A passarada, com o vento fraco, afirma sua presença com alegre cantoria. Meu amigo bem-te-vi, que ontem só apareceu mais tarde, já assinou o seu cartão de ponto bem cedo e observa o mundo empoleirado em uma antena de TV e, depois, no galho mais alto da mangueira.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em leve movimento, em sincronia com o vento fraco. Da leitura e reflexões do I Ching, que retomei a partir das cinco da manhã, quando não consegui mais conciliar o sono, inspiração para um breve haicai:

aquele que, bem
sabe o que procura,
pode encontrar…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Grade molhada

Parapeito molhado

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Entregador de jornais

Bem-te-vi na TV

Bem-te-vi na mangueira

Percepção 12 – Manhã de 18/03/2013

A chuva forte que despencou no início da noite de ontem se estendeu, mais fraca, pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. Reflexos das árvores nas poças d´água me lembram da metáfora da “lua numa gota de orvalho”, tão cara ao mestre Dogen. Céu nublado, carregado de nuvens cinzentas. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Um vento forte agita as copas das árvores indicando que a frente fria chegou e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 24,9C, às seis e vinte e nove da manhã.

Os guarda-chuvas de prontidão se animam na varanda, disputando qual deles será o primeiro a ser escolhido. O marrom, o azul, o branco?

A passarada, com a ventania, canta de maneira mais discreta. Meu amigo bem-te-vi se recolheu e outros pássaros me apresentam suas boas-vindas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em movimento com a ventania. Da leitura e reflexões dos escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

um ser-do-tempo…
o tempo em si mesmo
é um ser: tempo!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Reflexos

Aguardando a chuva