Percepção 53 – Manhã de 23/04/2013

O dia amanheceu com o céu encoberto e com as ruas e calçadas secas. Flocos de nuvens brancas em todos os quadrantes permitiam a visão de apenas pequenos trechos de céu azul. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 21,9C, às seis e quarenta e sete dessa trigésima quinta manhã de outono.

A passarada esteve muito agitada nas primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, quando se aproximou e pousou nas folhas do coqueiro e mereceu alguns cliques. E uma pomba que andava sumida deu as caras na antena de TV de um telhado próximo.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, um parágrafo chama minha atenção com o texto poético em que a vida é vista como continuação do nascimento, momento após momento, estando a pessoa com ela comprometida de modo ativo e criativo:

“O nascimento é exatamente como navegar num barco. Levantai as velas e remai […] navegai no barco e vosso navegar faz do barco o que ele é.”

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Bem-te-vi no coqueiro

Bem-te-vi no coqueiro 2

Pomba na antena de TV

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Percepção 31 – Manhã de 05/04/2013

O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas sequinhas. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu encoberto em todo o horizonte, e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 25,5C, às seis e nove dessa décima sétima manhã de outono.

A passarada deu sinal com vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se aproximou bastante e apresentei as minhas boas-vindas ao seu canto estridente. Bom dia! Um gavião enorme foi clicado, quase invisível que estava, com sua camuflagem natural contra as folhas do galho mais alto da mangueira.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões a inspiração para um breve haicai:

em transformação,
a fonte de tudo… ah!
momento presente!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Piso seco

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Gavião camuflado