Percepção 40 – Manhã de 12/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu claro e com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. O vento moderado de sudoeste que tem soprado nas últimas semanas levou para longe a camada de nuvens que se instalou no início da noite de ontem. No céu de azul ainda pálido, só nuvens de altitude ligeiramente cor de rosa iluminadas pelos primeiros raios de sol, em todos os quadrantes. Ar quase parado ao nível do mar, temperatura de 24,1C, às cinco e cinquenta e três dessa vigésima quarta manhã de outono.

As luzes da pracinha ainda estavam acesas, antes das seis horas da manhã, e a luminária iluminava as folhas e flores do algodoeiro. O entregador de jornais já deixou sua carga de informações alarmantes. Oportunidade para a minha “Dieta de Notícias”.

A passarada esteve muito animada desde cedo. Muitos cantos e trinados por todos os lados, quebrando o silêncio da madrugada. Andorinhas, bandos de cambaxirras, sabiás e tico-ticos cruzaram os céus em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e depois bem perto. Ele percorreu a copa do algodoeiro, das amendoeiras e do balançou-se levemente nas folhas do coqueiro. Nenhum clique dessa vez.

Várias folhas secas se desprenderam das amendoeiras, movidas pela brisa da madrugada e da manhã, dando trabalho para os porteiros dos edifícios para manter limpas suas respectivas calçadas e ruas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

passo a passo,
esforço sem desejo,
abro caminho…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Banco da amendoeira

Iluminado o algodoeiro

Pracinha deserta

Manchetes do jornal

Percepção 9 – Manhã de 15/03/2013

Depois de mais uma noite chuvosa, o dia amanhece ainda com uma grande cobertura de nuvens e com as ruas e calçadas molhadas. Temperatura de 24,7C, às seis e três da manhã. Fiz alguns registros fotográficos do reflexo das árvores nas poças d´água.

Pelo menos não está chovendo e parece que o tempo vai melhorar ao longo do dia. A passarada pressente esse prognóstico favorável e enche o ar com cantos de todos os tipos. Meu amigo bem-te-vi apareceu bem cedo, e não estava só. Veio acompanhado de uma companheira, ou companheiro, quem sabe? E esvoaçaram em dupla pelas árvores e telhados da vizinhança. Consegui um clique da dupla no galho mais alto da mangueira. Em outro momento, só um deles por entre as folhas do coqueiro.

Dois ônibus escolares diferentes vieram, bem cedo, buscar crianças da vizinhança… Saíram silenciosas… Deviam estar sonolentas…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, mantive o olhar na folhagem da amendoeira que tenho diante da varanda. Essa mesma árvore que já inspirou um post em outro blog, na Garrafa 349, e um breve haicai, em uma noite em que não conseguia conciliar o sono:

folhas ao vento,
pessoas que se foram,
acenos de mão…

Interrompi minhas reflexões, depois da meditação, com um pedido da minha filha mais nova, aniversariante de hoje, para levá-la de carro até o ponto do ônibus. Usava um salto impossível!

Feliz aniversário!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Cobertura de nuvens

Reflexos do coqueiro

Transporte escolar

Dois bem-te-vis

Bem-te-vi no coqueiro