Percepção 26 – Manhã de 31/03/2013

O dia amanheceu com grande nebulosidade e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu coberto com um tapete de nuvens que permitia ver trechos de céu azul e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,4C, às seis e cinquenta e seis dessa décima segunda manhã de outono.

Apenas uma fragata solitária cruzou o céu nas primeiras horas da manhã. E cerca de duas horas depois o céu estava completamente limpo. Agora sim, pude reconhecer uma típica manhã de outono. E algumas poças d´água ainda persistiam refletindo a folhagem e o céu azul, enquanto um pai de primeira viagem deixou seu carro na garagem e perambulou orgulhosamente com seu carrinho de bebê na sombra da pracinha.

A passarada esteve movimentada neste início de manhã. Vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Cambaxirras se aproximaram vindo das árvores para o poste da pracinha. Meu amigo bem-te-vi levou seu canto mais para longe. Estava mais para o mal-te-vi…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, terá sido o carrinho do bebê? Em um breve lampejo, antecipei a presença dos meus netos que ainda não nasceram e fui invadido por um sentimento de gratidão pelo dom da vida. Estarei por aqui quando eles vierem ao mundo? Inspiração para um breve haicai:

gratidão muda,
pelo dom da vida…
na mente de Buda!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Poças d´água na rua

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

O voo da fragata

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Reflexos nas poças d´água

Reflexos do pão de açucar?

Carrinho de bebê

Cambaxirra no poste

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Percepção 25 – Manhã de 30/03/2013

O dia amanheceu com grande nebulosidade e com as ruas e calçadas sequinhas. A chuva leve que caiu no final da noite não se estendeu pela madrugada. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu coberto com um tapete de nuvens que permitia ver trechos de céu azul e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,5C, às seis e quarenta e cinco dessa décima primeira manhã de outono.

Apenas cerca de uma hora depois é que os primeiros raios de sol iluminaram as copas das árvores e a grama da pracinha, surgindo por trás da Pedra da Gávea e dos edifícios da vizinhança. É sempre motivo de alegria testemunhar esse momento e ver o verde das árvores e da grama ganhar vida, diante de nossos olhos.

A passarada esteve movimentada neste início de manhã. Vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Cambaxirras, sabiás e andorinhas. Meu amigo bem-te-vi chegou cedo e apreciou a paisagem do galho mais alto do pinheiro. Seu canto forte ecoou várias vezes. Iiiiii! Beeeeem-te-viiiii! Apesar da minha forte conexão com essa criaturinha, desde que me mudei pra cá há alguns anos, ultimamente tenho procurado praticar o desapego desse meu amigo e do seu canto que me encanta. Tudo bem quando ele não vem ou não canta. Gosto de pensar que ele já está dentro de mim… E me encanto mesmo assim…

se eu mal-te-vi
sua falta não sinto
estou bem-te-vi

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, a sensação da brisa suave tocando meu rosto me traz a clara noção de que não se pode continuar tentando agarrar o que simplesmente não se pode ter. Inspiração para um breve haicai:

entre os dedos
não se pode agarrar…
a brisa do mar!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Sol na copa das árvores

Raios de sol na pracinha

Bem-te-vi no pinheiro

Percepção 24 – Manhã de 29/03/2013

O dia amanheceu novamente completamente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. Muitas poças d´água refletiam trechos de céu azul e as folhagens da pracinha. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu cinzento e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 22,9C, às seis e cinquenta e cinco dessa décima manhã de outono.

Cerca de uma hora depois, a nebulosidade se dissipou e o céu mostrou trechos de azul profundo, indicando um prognóstico de bom tempo ao longo do dia. Observei atentamente quando os primeiros raios de sol iluminaram as copas das árvores, fazendo a paisagem cinzenta explodir em verde clorofila. Meu coração agradecido pulsou sorridente.

A passarada esteve discreta neste início de manhã. Alguns cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se apresentou mais tarde e trouxe consigo um bando de amigos. Apreciou a paisagem do galho mais alto da mangueira, como costuma fazer quase todos os dias, antes de esvoaçar por sobre o seu território. Seu canto estridente sempre me inspira:

quebra o silêncio
o canto do bem-te-vi
manhã de outono

Vários pássaros caminharam tranquilamente pelo chão da pracinha, ruas e calçadas das redondezas, em busca de pequenos insetos. A rolinha, do seu observatório na luminária, planejou cuidadosamente seus movimentos, antes de alçar novos voos.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, um cão em particular chamou minha atenção. Parecia estar só, sem seu dono, e perambulou pelas ruas e calçadas molhadas. Seu pelo castanho fazia um belo contraste contra o asfalto, quando visto daqui de cima. Alheio ao calendário e do feriado da Semana Santa, vivia o seu dia de cão… Inspiração para um breve haicai:

são só o que são
sexta-feira da paixão
um dia de cão

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal
Vídeo: O canto e o comportamento do bem-te-vi

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Poças d´água

Reflexos na poça d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Nuvens brancas e céu azul

Raios de sol na folhagem

Bem-te-vi na mangueira

Rolinha na luminária.

Em busca de água e comida

Percepção 23 – Manhã de outono

O vento que soprou nas primeiras horas do dia levou as nuvens de chuva pra longe e a manhã de outono surgiu radiante. Sol forte, céu azul e nuvens brancas em todos os quadrantes ensaiando seus passos de dança. Logo após o meio-dia, temperatura amena de 26C às doze e trinta.

Relendo um haicai do mestre Bashô, tudo a ver:

aka aka to hi wa tsurenaku mo aki no kaze

apesar do sol
ardendo sem compaixão,
o vento de outono.

Matsuo Bashô

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Passo de dança

Registro de temperatura

Percepção 22 – Manhã de 28/03/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. Muitas poças d´água refletem trechos de céu azul e as folhagens da pracinha. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu azul com algumas nuvens e vento forte do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,7C, às sete horas dessa nona manhã de outono.

A passarada, com as rajadas de vento que agitam as copas das árvores, mais preocupada em manter seu equilíbrio entre as folhagens em movimento, está mais silenciosa nesta manhã. Cantos e trinados discretos. Meu amigo bem-te-vi foi para outra freguesia e ouço seu canto muito distante em algum telhado da vizinhança.

Protegidas do vento, junto comigo, as plantas observam a pracinha vazia e seu próprio reflexo nos vidros da varanda. Com as nuvens de chuva sendo levadas pra longe, parece que, finalmente, vamos poder aproveitar um dia típico de outono. A conferir o desenrolar da meteorologia, nas próximas horas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nos reflexos dos vasos de plantas nos vidros da varanda. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

maior motivo,
nosso maior desejo…
a completude!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Através dos vidros da varanda

Percepção 21 – Manhã de 27/03/2013

O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu carregado de nuvens e quase nenhuma brisa. Temperatura de 24,4C, às seis e trinta e oito dessa oitava manhã de outono.

A passarada voltou! Cantos e trinados por todos os lados, dos telhados da vizinhança às folhagens das árvores da pracinha. Meu amigo bem-te-vi foi clicado várias vezes nas antenas da vizinhança, na mangueira e no alto do pinheiro. Hoje, até as aves aquáticas romperam o céu e o silêncio. Sons estridentes no voo em formação.

Ninguém na pracinha para observar as orquídeas solitárias, agarradas aos troncos das árvores… Na varanda, uma jovem samambaia aproveita o frescor da manhã, em minha companhia.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nos reflexos dos vasos de plantas nos vidros da varanda. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

o meu trabalho,
continuação de algo…
ah! que não tem fim!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Bem-te-vi no pinheiro

Bem-te-vi na mangueira

Aves aquáticas em formação

Pracinha vazia

Jovem samambaia

Percepção 20 – Manhã de 26/03/2013

O dia amanheceu nublado, mas as ruas e calçadas estavam secas. Sem chuva nessa madrugada. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu carregado de nuvens e quase nenhuma brisa. Mas podemos ver pequenos trechos de céu azul por trás da grossa camada de nebulosidade. Temperatura de 24,8C, às seis e quarenta e quatro dessa sétima manhã de outono.

A passarada, a exemplo das últimas manhãs, esteve muito discreta. Cantos e trinados distantes, dos telhados da vizinhança. Ouvi meu amigo bem-te-vi à distância.

Ninguém na pracinha para observar a orquídea solitária, enquanto um pequeno helicóptero cruzou o céu de leste a oeste, provavelmente sobrevoando a orla marítima em direção ao Recreio dos Bandeirantes…

Diversos lápis de cor ao lado da janela do quarto da minha filha esperaram em vão por alguém que os utilizasse para escrever alguma mensagem importante… Uma carta de amor? Um desenho colorido?

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nos reflexos da varanda no vidro da porta da sala. Nas reflexões da manhã vieram à lembrança os versos de um haicai postado no ano passado, na Garrafa 336, em outro Blog:

flores no jarro,
arrancadas da terra!
saudades do campo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Orquídea solitária

Sobrevoo de helicóptero

Lapis coloridos

Reflexos da varanda