Percepção 28 – Manhã de 02/04/2013

O dia amanheceu sem nuvens e com as ruas e calçadas sequinhas. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu azul, com poucas nuvens no quadrante sudeste, e vento fraco do quadrante sudoeste. Prenúncio de um dia de bom tempo. Temperatura de 24,5C, às seis e três dessa décima quarta manhã de outono.

Bandos de aves aquáticas e grupos de andorinhas voltaram a cruzar o céu desde as primeiras horas da manhã. E o entregador de jornais já deixou a sua carga de informações na entrada do edifício, desde as cinco e quarenta da manhã.

A passarada deu as boas vindas ao céu claro e aos primeiros raios de sol. Vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança, com destaque para meu amigo bem-te-vi que é normalmente o primeiro a se manifestar. Seja bem-vindo!

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões com a leitura do I Ching, alguns parágrafos chamaram minha atenção. Na antiga China, situada no hemisfério norte, os governantes sentavam-se voltados para o sul, a região do sol, da luz, durante as audiências que concediam: “A posição externa simbolizava a atitude interna. Voltar-se para a luz significa voltar-se para o que permite ver e entender.”

Inspiração para um breve haicai:

entendimento…
voltar-nos para a luz
que o permite…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Jornal matinal

Percepção 27 – Manhã de 01/04/2013

O dia amanheceu sem nuvens e com as ruas e calçadas quase completamente secas, depois de uma madrugada de outono. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu azul, praticamente sem nuvens, e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,8C, às seis e dez dessa décima terceira manhã de outono.

Bandos de aves aquáticas e grupos de andorinhas cruzaram o céu desde as primeiras horas da manhã. E o entregador de jornais já deixou a sua carga de informações na entrada do edifício, enquanto os dois ônibus escolares passaram para recolher suas crianças sonolentas, quase ao mesmo tempo.

A passarada deu as boas vindas ao céu claro e aos primeiros raios de sol. Vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Cambaxirra espevitada no coqueiro e meu amigo bem-te-vi novamente levou seu canto mais para longe.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, que hoje foram sobre uma resposta que recebi de uma consulta ao I Ching, inspiração para um breve haicai:

ver claramente
e agir prontamente
cria destinos

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Aves em formação

O jornal já chegou!

Cambaxirra espevitada

Percepção 19 – Manhã de 25/03/2013

Mais uma madrugada chuvosa… O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas molhadas, mas menos do que ontem. Sinal de que a chuva já parou há muitas horas. Só poucas poças d´água ainda persistem, refletindo o céu nublado e as folhagens do coqueiro. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu carregado de nuvens e quase nenhuma brisa. Mas podemos ver pequenos trechos de céu azul por trás da grossa camada de nebulosidade. Temperatura de 24,5C, às seis e vinte e três dessa sexta manhã de outono.

A passarada, a exemplo da manhã de ontem, está muito discreta. Cantos e trinados distantes, dos telhados da vizinhança. Um gavião em voo rasante me esclarece o motivo desse afastamento. Só uma rolinha silenciosa se aproxima da varanda e pousa na luminária da pracinha, enquanto uma ave aquática cruza solitária o céu da manhã. Ouço meu amigo bem-te-vi à distância. Seja bem-vindo!

Enquanto os primeiros raios de sol iluminam as copas das árvores, observo o breve espaço entre dois pensamentos…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens quase sem movimento, pela brisa muito suave. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

o não-pensar é
algo muito sutil… é
pensar não-pensar…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Reflexos na poça d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Vestígios de céu azul

Rolinha na luminária

Voo solitário

Sol nas copas das árvores

Percepção 18 – Manhã de 24/03/2013

Mais uma madrugada chuvosa… O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas molhadas. As poças d´água refletem os automóveis e as folhagens das árvores da pracinha. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu cinzento e quase nenhuma brisa. Temperatura de 25C, às seis e quarenta e nove dessa quinta manhã de outono.

A passarada, a exemplo da manhã de ontem, está silenciosa. Cantos e trinados emitidos com economia, do meio das folhagens. Meu amigo bem-te-vi não me abandona. Olá! Dormiu bem? Seja bem-vindo!

Desânimo de alguns, alegria de outros. No jardim da pracinha e nos vasos da vizinhança as plantas parecem agradecer pela chuva da madrugada. Vaidosas, orquídeas em festa admiram seu próprio reflexo no vidro da varanda.

Mais tarde, ainda pela manhã, tenho um encontro com uma árvore querida que foi brutalmente atacada em Copacabana, há algumas semanas. Alguns dos seus amigos, e entre eles me incluo, farão uma manifestação pacífica pela sua preservação. Cuidar do corpo é cuidar da mente. Cuidar da mente é cuidar do corpo. Farei um breve exame de corpo de delito, fotografando respeitosamente minha amiga mutilada, seu “corpo-mente”. E pretendo conhecer algumas pessoas de quem só tenho notícia pelas redes sociais. Amigos do Assacu da Pompeu Loureiro são meus amigos também.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens quase sem movimento, pela brisa muito suave. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

cuidar do mundo,
cuidar do corpo-mente,
é cuidar de mim!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Reflexos nas poças d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Plantas da varanda

Orquídea na varanda

Percepção 17 – Manhã de 23/03/2013

Depois de mais uma madrugada chuvosa, o dia amanheceu nublado e com a promessa de mau tempo. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu cinzento e quase nenhuma brisa. Ar parado no nível do mar. Temperatura de 25,9C, às seis e quarenta e quatro dessa quarta manhã de outono.

A passarada está discreta. Cantos e trinados emitidos com economia. Como se a natureza hesitasse entre despertar e voltar a dormir, com o céu ainda escuro, ao início da manhã. Reflito sobre os ciclos de ascensão e declínio, de movimento e de inércia… Meu amigo bem-te-vi marca seu ponto. Seja bem-vindo!

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens quase sem movimento, pela brisa muito suave. Da leitura e reflexões do I Ching, inspiração para um breve haicai:

atividade
ascensão e declínio…
ah! e repouso!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Percepção 12 – Manhã de 18/03/2013

A chuva forte que despencou no início da noite de ontem se estendeu, mais fraca, pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. Reflexos das árvores nas poças d´água me lembram da metáfora da “lua numa gota de orvalho”, tão cara ao mestre Dogen. Céu nublado, carregado de nuvens cinzentas. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Um vento forte agita as copas das árvores indicando que a frente fria chegou e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 24,9C, às seis e vinte e nove da manhã.

Os guarda-chuvas de prontidão se animam na varanda, disputando qual deles será o primeiro a ser escolhido. O marrom, o azul, o branco?

A passarada, com a ventania, canta de maneira mais discreta. Meu amigo bem-te-vi se recolheu e outros pássaros me apresentam suas boas-vindas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em movimento com a ventania. Da leitura e reflexões dos escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

um ser-do-tempo…
o tempo em si mesmo
é um ser: tempo!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Reflexos

Aguardando a chuva

Percepção 11 – Manhã de 17/03/2013

Depois de três dias seguidos de chuva durante a madrugada, o dia amanheceu com as ruas e calçadas sequinhas. Sinal de noite seca e quente, típica do verão do Rio de Janeiro. Grandes coberturas de nuvens são avistadas tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste. Só o sul apresenta algo de céu azul, com um tapete de nuvens de algodão. Prenúncio de um dia abafado e com grande nebulosidade. Temperatura de 26C, às seis e cinquenta e dois da manhã.

Aparentemente, uma pequena multidão de guarda-chuvas que mantemos de prontidão na varanda, para pronto uso, permanecerá sem serventia, nessa manhã. Pensei comigo mesmo:

um guarda-chuva
aguarda a chuva… ah!
quem sabe quando?

A passarada aproveita a brisa da manhã, filtrada por entre os galhos e folhagens das árvores da pracinha e celebra a vida com seu canto. Meu amigo bem-te-vi me apresenta suas boas-vindas e retribuo com um olhar curioso. Onde estará exatamente que não o vejo?

A varanda está enfeitada com flores e acessórios que ficaram da festa de aniversário de minha filha mais nova, no dia de ontem. Um conjunto de lanternas japonesas desmontadas, esquecido no chão de cerâmica, se presta a um arranjo abstrato. Satisfeito com minhas experiências com a geometria, as formas e as cores, disse pra mim mesmo:

sobras da festa
círculos concêntricos
são só lanternas…

Enquanto isso, mãe e filhas correram atrás de uma bola colorida, ao lado dos círculos concêntricos do jardim…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens do jardim. Interrompi minhas reflexões, durante a leitura dos escritos do mestre Dogen, com uma pergunta vinda de algum cômodo da casa: Mozinho, vamos tomar nosso café?

Eduardo leal
Fotos de Eduardo leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Quadrante sudoeste

Ao sul do céu

Aguardando a chuva

Círculos concêntricos

Mãe e filhas, no jardim