Percepção 63 – Amanhecer no mês de abril

Tenho registrado o amanhecer visto da minha varanda há várias semanas, às vezes antes e às vezes depois da meditação matinal. O horário das fotos varia, portanto, entre seis e oito horas da manhã. Registro o céu nos quadrantes sudeste, sul e sudoeste e às vezes monto fotos panoramicas dessa paisagem mutante.

Encerrado o mês de abril, fiz um pequeno vídeo, com as imagens do setor sudeste, mais próximo de onde o sol nasce, o que não posso avistar diretamente do meu observatório da varanda. Vejo apenas o sol refletido nas nuvens, na fachada de alguns edifícios e iluminando as árvores e o jardimda pracinha.

Compartilho com os amigos minha primeira experiência brincando com alguns recursos de criação e edição de vídeo, a partir de fotografias. Espero que apreciem.

Eduardo Leal
Vídeo de Eduardo Leal
Trilha sonora: O Healing Water com Marc Allen

Percepção 56 – Manhã de 26/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Algumas nuvens de grande altitude, uma leve gaze branca em todos os quadrantes não impedia a visão do céu azul claro. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das árvores da pracinha. Temperatura de 20,3C, às seis e vinte dessa trigésima oitava manhã de outono.

A passarada, aproveitando mais um dia espetacular, esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, quando se aproximou e pousou na folhagem do coqueiro. Alguns cliques registraram sua plumagem, enquanto a pomba, que só às vezes aparece, marcou sua presença na antena de TV.

O entregador de jornais já espalhou as manchetes do dia na calçada de entrada do prédio: Conflito de vaidades entre integrantes dos “Poderes” da República. Oportunidade para a prática de uma “Dieta de Notícias”. Se o tema principal é vaidade, vou direto para a revista com a moça bonita na capa…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a releitura de “Hai-Quase” com os escritos poéticos de Fernando Sérgio Lira e Sidney Wanderley, um poema curto de Fernando Sérgio chamou minha atenção, enquanto ouvia a algazarra da passarada:

sei esse barulho:
algazarra de pardais
ou hora do recreio

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Bem-te-vi no coqueiro

Pomba na antena de TV

Manchetes do dia

Percepção 54 – Manhã de 24/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Algumas nuvens apenas no setor sul permitiam a visão do céu azul em todas as direções. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 20,6C, às seis e treze dessa trigésima sexta manhã de outono.

A passarada esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, enquanto se ocultava na folhagem do algodoeiro. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

respeitosamente,
penetrar corpo e mente,
flecha sem alvo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Percepção 48 – Manhã de 19/04/2013

O dia amanheceu com o céu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas sequinhas. Diversas nuvens em todos os quadrantes permitindo a visão de apenas alguns trechos de céu azul. Vento moderado de sudoeste, temperatura de 22,1C, às seis e vinte e seis dessa trigésima primeira manhã de outono.

A passarada trouxe seus cantos e trinados para perto da varanda e o bem-te-vi marcou presença ao longe. Bandos de andorinhas e cambaxirras alvoroçaram as copas das árvores da pracinha. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nesta manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, antes de sair de casa bem cedo para concluir um treinamento iniciado ontem, uma Oficina de Comunicação e Desenvolvimento Pessoal, em uma Universidade, no Rio de Janeiro, fiquei pensando em como gostaria que esse encontro se desse, com cada um dos participantes. E lembrei-me das palavras de Jacob Moreno:

“Um encontro de dois: olho no olho, cara a cara.
E quando estiveres próximo, tomarei teus olhos e os porei no lugar dos meus.
E tu tomarás meus olhos, e os porás no lugar dos teus.
E então, te olharei com teus olhos e me olharás com os meus.”

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Setor sulsudeste

Setor sulsudoeste

Quadrante sudoeste

Trechos de céu azul

Panoramica

Percepção 40 – Manhã de 12/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu claro e com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. O vento moderado de sudoeste que tem soprado nas últimas semanas levou para longe a camada de nuvens que se instalou no início da noite de ontem. No céu de azul ainda pálido, só nuvens de altitude ligeiramente cor de rosa iluminadas pelos primeiros raios de sol, em todos os quadrantes. Ar quase parado ao nível do mar, temperatura de 24,1C, às cinco e cinquenta e três dessa vigésima quarta manhã de outono.

As luzes da pracinha ainda estavam acesas, antes das seis horas da manhã, e a luminária iluminava as folhas e flores do algodoeiro. O entregador de jornais já deixou sua carga de informações alarmantes. Oportunidade para a minha “Dieta de Notícias”.

A passarada esteve muito animada desde cedo. Muitos cantos e trinados por todos os lados, quebrando o silêncio da madrugada. Andorinhas, bandos de cambaxirras, sabiás e tico-ticos cruzaram os céus em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e depois bem perto. Ele percorreu a copa do algodoeiro, das amendoeiras e do balançou-se levemente nas folhas do coqueiro. Nenhum clique dessa vez.

Várias folhas secas se desprenderam das amendoeiras, movidas pela brisa da madrugada e da manhã, dando trabalho para os porteiros dos edifícios para manter limpas suas respectivas calçadas e ruas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

passo a passo,
esforço sem desejo,
abro caminho…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Banco da amendoeira

Iluminado o algodoeiro

Pracinha deserta

Manchetes do jornal

Percepção 39 – Noite de 11/04/2013

O mesmo vento sudoeste, que limpou o céu durante a tarde, trouxe novas nuvens ao entardecer. Temperatura de 25,9C às dezessete e cinquenta e nove desse início de noite de outono.

Enquanto o céu escurecia, inspiração para um breve haicai:

céu de carbono
de um negro quimono
noite de outono

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Quadrante sulsudoeste

Percepção 38 – Tarde de 11/04/2013

O vento sudoeste carregou quase todas as nuvens que estavam presentes no início da manhã. Céu claro em todos os quadrantes e temperatura de 27,3C às doze e trinta e seis dessa bela tarde de outono.

Hoje, depois de minha caminhada matinal, mantive conversa bastante instrutiva com a dupla de jardineiros que mantém o jardim da nossa associação de moradores. Cortavam a grama e retiravam ervas daninhas, observados por borboletinhas amarelas. Agora já sei o nome de cada uma das espécies de árvores que avisto da varanda e com quem converso quando fico mais tempo perambulando na pracinha. Um Algodoeiro, três Ipês, vários Ficus, duas Amendoeiras, duas Goiabeiras, uma Jabuticabeira, um Abacateiro, um Pé de graviola, três Coqueiros-anões e uma Palmeira Areca.

Na volta pra casa, lembrei do haicai de Rosa Clement:

hora da caminhada
bando de borboletas
segue o jardineiro

Essa pérola de delicadeza foi publicada no numero de fevereiro de 2001 da revista Frogpond, órgão oficial da Haiku Society of America.

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Percepção 23 – Manhã de outono

O vento que soprou nas primeiras horas do dia levou as nuvens de chuva pra longe e a manhã de outono surgiu radiante. Sol forte, céu azul e nuvens brancas em todos os quadrantes ensaiando seus passos de dança. Logo após o meio-dia, temperatura amena de 26C às doze e trinta.

Relendo um haicai do mestre Bashô, tudo a ver:

aka aka to hi wa tsurenaku mo aki no kaze

apesar do sol
ardendo sem compaixão,
o vento de outono.

Matsuo Bashô

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Passo de dança

Registro de temperatura

Percepção 22 – Manhã de 28/03/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. Muitas poças d´água refletem trechos de céu azul e as folhagens da pracinha. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu azul com algumas nuvens e vento forte do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,7C, às sete horas dessa nona manhã de outono.

A passarada, com as rajadas de vento que agitam as copas das árvores, mais preocupada em manter seu equilíbrio entre as folhagens em movimento, está mais silenciosa nesta manhã. Cantos e trinados discretos. Meu amigo bem-te-vi foi para outra freguesia e ouço seu canto muito distante em algum telhado da vizinhança.

Protegidas do vento, junto comigo, as plantas observam a pracinha vazia e seu próprio reflexo nos vidros da varanda. Com as nuvens de chuva sendo levadas pra longe, parece que, finalmente, vamos poder aproveitar um dia típico de outono. A conferir o desenrolar da meteorologia, nas próximas horas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nos reflexos dos vasos de plantas nos vidros da varanda. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

maior motivo,
nosso maior desejo…
a completude!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Através dos vidros da varanda

Percepção 13 – Manhã de 19/03/2013

A chuva intermitente, que persistiu durante o dia e a noite de ontem, se estendeu pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. A grade e o parapeito da varanda apresentam um delicado mosaico de gotas de chuva e grãos de poeira. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Nuvens cinzentas por toda parte e um vento fraco, agitando as copas das árvores, indicando que a frente fria permanece e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 22,6C, às seis e dez da manhã, a mais baixa das últimas semanas.

O entregador de jornal, em sua bicicleta, driblando as poças d´água, protege sua carga perecível com plástico transparente e a atira com precisão nos degraus da entrada do prédio. Nosso porteiro irá recolhê-la, em breve, e trazer as manchetes, normalmente de teor preocupante, até a minha porta. Oportunidade para praticar uma “Dieta de Notícias” e filtrar só o que me interessa e faz bem para o espírito.

A passarada, com o vento fraco, afirma sua presença com alegre cantoria. Meu amigo bem-te-vi, que ontem só apareceu mais tarde, já assinou o seu cartão de ponto bem cedo e observa o mundo empoleirado em uma antena de TV e, depois, no galho mais alto da mangueira.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em leve movimento, em sincronia com o vento fraco. Da leitura e reflexões do I Ching, que retomei a partir das cinco da manhã, quando não consegui mais conciliar o sono, inspiração para um breve haicai:

aquele que, bem
sabe o que procura,
pode encontrar…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Grade molhada

Parapeito molhado

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Entregador de jornais

Bem-te-vi na TV

Bem-te-vi na mangueira