Percepção 41 – Manhã de 13/04/2013

O dia amanheceu com o céu parcialmente encoberto, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. O vento moderado de sudoeste que tem soprado nas últimas semanas trouxe de volta uma camada de nuvens que se instalou a partir da noite de ontem e se intensificou durante a madrugada. Há trechos de céu de azul acompanhados de nuvens brancas de altitude e algumas nuvens mais baixas e mais acinzentadas iluminadas pelos primeiros raios de sol, em todos os quadrantes. Ar quase parado ao nível do mar, temperatura de 26,1C, às seis e dezessete dessa vigésima quinta manhã de outono.

Só uma fragata voava solitária, enquanto o entregador de jornais deixava sua carga de informações sensacionalistas. Hoje campanha publicitária na primeira página. Oportunidade para a prática da minha “Dieta de Notícias”.

A passarada esteve muito animada desde cedo. Muitos cantos e trinados por todos os lados, quebrando o silêncio da madrugada. Tenho observado que várias pombas, que andavam sumidas, voltaram a aparecer nas redondezas. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e depois bem perto. Ele percorreu as árvores da vizinhança até aproximar-se bastante pousando nas folhas do coqueiro. Trouxe companhia. Um clique da conversa entre dois indivíduos registrou a visita.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

voo da ave
na imensidão do céu
manhã de outono…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Jornal matutino

Voo da fragata

Manchetes do jornal

Pomba na TV

Bem-te-vi no coqueiro

Conversa de dois bem-te-vis

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Percepção 19 – Manhã de 25/03/2013

Mais uma madrugada chuvosa… O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas molhadas, mas menos do que ontem. Sinal de que a chuva já parou há muitas horas. Só poucas poças d´água ainda persistem, refletindo o céu nublado e as folhagens do coqueiro. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu carregado de nuvens e quase nenhuma brisa. Mas podemos ver pequenos trechos de céu azul por trás da grossa camada de nebulosidade. Temperatura de 24,5C, às seis e vinte e três dessa sexta manhã de outono.

A passarada, a exemplo da manhã de ontem, está muito discreta. Cantos e trinados distantes, dos telhados da vizinhança. Um gavião em voo rasante me esclarece o motivo desse afastamento. Só uma rolinha silenciosa se aproxima da varanda e pousa na luminária da pracinha, enquanto uma ave aquática cruza solitária o céu da manhã. Ouço meu amigo bem-te-vi à distância. Seja bem-vindo!

Enquanto os primeiros raios de sol iluminam as copas das árvores, observo o breve espaço entre dois pensamentos…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens quase sem movimento, pela brisa muito suave. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

o não-pensar é
algo muito sutil… é
pensar não-pensar…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Reflexos na poça d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Vestígios de céu azul

Rolinha na luminária

Voo solitário

Sol nas copas das árvores