Percepção 32 – Manhã de 06/04/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. Algumas poças d´água persistiam apesar da chuva ter parado há muito tempo, durante a madrugada. A paisagem mudou várias vezes nas primeiras horas de claridade. Inicialmente nebulosidade moderada nos quadrantes sudeste e sul e nuvens mais carregadas no quadrante sudoeste. Mas o vento forte de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e as nuvens cinzentas foram substituídas por nuvens cor de rosa e brancas, de todos os tipos e em vários níveis de altitude. Temperatura de 25,6C, às cinco e cinquenta e cinco dessa décima oitava manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se aproximou bastante e foi clicado no galho mais alto da amendoeira. Azulões e cambaxirras disputaram espaço e se alternaram nas folhagens do coqueiro.

Um cão e seu dono fizeram brincadeiras com uma bolinha, que era lançada e alegremente trazida de volta, recuperada do meio das folhagens da pracinha. Tanto um quanto o outro aproveitaram a manhã para dedicar toda a atenção que podiam um ao outro e àquela atividade.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões com a leitura de “Zen no trabalho”, alguns parágrafos chamaram minha atenção: “Quando tratamos alguém com indiferença, achamos que já sabemos tudo o que temos de saber sobre ele, que não há nada novo, que não é mais necessário lhe dar muita atenção… Começamos a tratar as coisas e pessoas com indiferença quando nós mesmos nos tratamos com indiferença.”

Inspiração para um breve haicai:

indiferença…
morremos por dentro… ah!
nada de novo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua  e calçadas molhadas

Quadrante sudeste 1

Quadrante sudeste 2

Quadrante sudeste 3

Ao sul do céu 1

Ao sul do céu 2

Ao sul do céu 3

Ao sul do céu 4

Quadrante sudoeste 1

Quadrante sudoeste 2

Quadrante sudoeste 3

Quadrante sudoeste 4

Nuvens de altitude 1

Nuvens de altitude 2

Bem-te-vi na amendoeira 1

Bem-te-vi na amendoeira 2

Cadê a bolinha?

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Percepção 22 – Manhã de 28/03/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. Muitas poças d´água refletem trechos de céu azul e as folhagens da pracinha. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu azul com algumas nuvens e vento forte do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,7C, às sete horas dessa nona manhã de outono.

A passarada, com as rajadas de vento que agitam as copas das árvores, mais preocupada em manter seu equilíbrio entre as folhagens em movimento, está mais silenciosa nesta manhã. Cantos e trinados discretos. Meu amigo bem-te-vi foi para outra freguesia e ouço seu canto muito distante em algum telhado da vizinhança.

Protegidas do vento, junto comigo, as plantas observam a pracinha vazia e seu próprio reflexo nos vidros da varanda. Com as nuvens de chuva sendo levadas pra longe, parece que, finalmente, vamos poder aproveitar um dia típico de outono. A conferir o desenrolar da meteorologia, nas próximas horas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nos reflexos dos vasos de plantas nos vidros da varanda. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

maior motivo,
nosso maior desejo…
a completude!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Ruas e calçadas molhadas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Através dos vidros da varanda

Percepção 12 – Manhã de 18/03/2013

A chuva forte que despencou no início da noite de ontem se estendeu, mais fraca, pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. Reflexos das árvores nas poças d´água me lembram da metáfora da “lua numa gota de orvalho”, tão cara ao mestre Dogen. Céu nublado, carregado de nuvens cinzentas. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Um vento forte agita as copas das árvores indicando que a frente fria chegou e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 24,9C, às seis e vinte e nove da manhã.

Os guarda-chuvas de prontidão se animam na varanda, disputando qual deles será o primeiro a ser escolhido. O marrom, o azul, o branco?

A passarada, com a ventania, canta de maneira mais discreta. Meu amigo bem-te-vi se recolheu e outros pássaros me apresentam suas boas-vindas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em movimento com a ventania. Da leitura e reflexões dos escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

um ser-do-tempo…
o tempo em si mesmo
é um ser: tempo!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Reflexos

Aguardando a chuva