Percepção 12 – Manhã de 18/03/2013

A chuva forte que despencou no início da noite de ontem se estendeu, mais fraca, pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. Reflexos das árvores nas poças d´água me lembram da metáfora da “lua numa gota de orvalho”, tão cara ao mestre Dogen. Céu nublado, carregado de nuvens cinzentas. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Um vento forte agita as copas das árvores indicando que a frente fria chegou e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 24,9C, às seis e vinte e nove da manhã.

Os guarda-chuvas de prontidão se animam na varanda, disputando qual deles será o primeiro a ser escolhido. O marrom, o azul, o branco?

A passarada, com a ventania, canta de maneira mais discreta. Meu amigo bem-te-vi se recolheu e outros pássaros me apresentam suas boas-vindas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em movimento com a ventania. Da leitura e reflexões dos escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

um ser-do-tempo…
o tempo em si mesmo
é um ser: tempo!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Reflexos

Aguardando a chuva

Percepção 10 – Manhã de 16/03/2013

O dia amanhece, depois de mais uma noite chuvosa, ainda com uma grande cobertura de nuvens no quadrante sudeste, mas com o céu mais limpo no quadrante sudoeste. Apesar do parapeito da varanda ainda molhado, prenúncio de um dia com bom tempo. Temperatura de 25,8C, às seis e cinquenta e cinco da manhã.

A passarada movimenta a folhagem das árvores da pracinha e interrompe o silêncio da manhã com um coro de diversas vozes. Destaque para o meu amigo bem-te-vi.

Um vizinho passeou bem cedo com seu cachorro, carregando aquele saquinho plástico fatídico nas mãos. Investigaram, juntos, cada árvore da vizinhança.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, mantive o olhar na parede da varanda, no estilo dos zendo dos mosteiros zen budistas, inspirado na releitura de “A lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, em espacial as “Regras para o zazen“.

Encontrei no livro um haicai ainda não postado, parido em 22/12/2012, no alto da página 26, próximo a um parágrafo que fala sobre a intemporalidade de um momento:

momento presente
contém todo o tempo
aqui e agora…

Interrompi minhas reflexões, depois da meditação, para me preparar para atender duas clientes de Consultoria para elaboração de Plano de Negócio, ainda pela manhã. Na parte da tarde, a prioridade é para a celebração do aniversário da minha filha mais nova. Almoço em família com a presença de seus amigos e amigas mais próximos, ao ar livre. Espero que o tempo colabore.

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Quadrante sudoeste

Vestígios da chuva da madrugada

Percepção 7 – Tarde de 13/03/2013

O barulho de chuva leve, mas persistente, me fez dar uma conferida no prognóstico do tempo, ao vivo e a cores, na varanda. Depois de uma tarde típica de verão, nuvens se aproximaram do quadrante sudoeste, trazendo uma chuva rápida e uma boa redução de temperatura, que passou de 36C para 29C.

Em boa hora, pois pude assistir a um por do sol espetacular, que quase passou despercebido, envolvido que estava no trabalho, no monitoramento das notícias sobre a escolha do novo Papa, e na expectativa de atender a uma cliente, pela Internet, no início da noite.

Enquanto ainda pensava nos desafios que o novo Pontífice da Igreja Católica – Francisco I – terá de enfrentar, o céu foi ficando tingido de vários tons de laranja…

Antes de fazer uma meditação rápida, de apenas quinze minutos, revi o conteúdo de um post, do mês passado, da ultima chuva ao cair da tarde que presenciei. Naquela ocasião, lancei no mar da Internet a Garrafa 363:

chuva caindo,
de amores me caio,
a tarde também…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Chuva leve e por do sol

Céu alaranjado