Percepção 58 – Manhã de 28/04/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas secas. Um tapete de nuvens podia ser avistado movendo-se lentamente, permitindo a visão de pequenos trechos de céu azul claro. Uma leve brisa era percebida pelo movimento sutil na folhagem das árvores da pracinha. Temperatura de 21,6C, às sete e dez dessa quadragésima manhã de outono.

A passarada esteve como sempre muito agitada, desde as primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. Bandos de andorinhas sobrevoaram a pracinha e o canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, do alto do pinheiro.

Nenhum dos meus amigos emplumados aventurou-se no chão da pracinha em busca de pequenos insetos nessa manhã. O gato que ronda a vizinhança patrulhou cada arbusto do jardim e automóvel estacionado, encontrando apenas algumas folhas secas das amendoeiras, enquanto a azaleia, vestida com suas melhores cores, assistia a tudo de seu observatório na varanda.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a releitura de “A lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, apreciando os movimentos do gato caçador, a inspiração para um breve haicai:

gato caçador
encontra nos arbustos
só folhas secas…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Bem-te-vi no pinheiro

Gato caçador

Azaleia

Percepção 26 – Manhã de 31/03/2013

O dia amanheceu com grande nebulosidade e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva leve que caiu no final da noite se estendeu pela madrugada. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu coberto com um tapete de nuvens que permitia ver trechos de céu azul e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,4C, às seis e cinquenta e seis dessa décima segunda manhã de outono.

Apenas uma fragata solitária cruzou o céu nas primeiras horas da manhã. E cerca de duas horas depois o céu estava completamente limpo. Agora sim, pude reconhecer uma típica manhã de outono. E algumas poças d´água ainda persistiam refletindo a folhagem e o céu azul, enquanto um pai de primeira viagem deixou seu carro na garagem e perambulou orgulhosamente com seu carrinho de bebê na sombra da pracinha.

A passarada esteve movimentada neste início de manhã. Vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Cambaxirras se aproximaram vindo das árvores para o poste da pracinha. Meu amigo bem-te-vi levou seu canto mais para longe. Estava mais para o mal-te-vi…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, terá sido o carrinho do bebê? Em um breve lampejo, antecipei a presença dos meus netos que ainda não nasceram e fui invadido por um sentimento de gratidão pelo dom da vida. Estarei por aqui quando eles vierem ao mundo? Inspiração para um breve haicai:

gratidão muda,
pelo dom da vida…
na mente de Buda!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Poças d´água na rua

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

O voo da fragata

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Reflexos nas poças d´água

Reflexos do pão de açucar?

Carrinho de bebê

Cambaxirra no poste

Percepção 25 – Manhã de 30/03/2013

O dia amanheceu com grande nebulosidade e com as ruas e calçadas sequinhas. A chuva leve que caiu no final da noite não se estendeu pela madrugada. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu coberto com um tapete de nuvens que permitia ver trechos de céu azul e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,5C, às seis e quarenta e cinco dessa décima primeira manhã de outono.

Apenas cerca de uma hora depois é que os primeiros raios de sol iluminaram as copas das árvores e a grama da pracinha, surgindo por trás da Pedra da Gávea e dos edifícios da vizinhança. É sempre motivo de alegria testemunhar esse momento e ver o verde das árvores e da grama ganhar vida, diante de nossos olhos.

A passarada esteve movimentada neste início de manhã. Vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Cambaxirras, sabiás e andorinhas. Meu amigo bem-te-vi chegou cedo e apreciou a paisagem do galho mais alto do pinheiro. Seu canto forte ecoou várias vezes. Iiiiii! Beeeeem-te-viiiii! Apesar da minha forte conexão com essa criaturinha, desde que me mudei pra cá há alguns anos, ultimamente tenho procurado praticar o desapego desse meu amigo e do seu canto que me encanta. Tudo bem quando ele não vem ou não canta. Gosto de pensar que ele já está dentro de mim… E me encanto mesmo assim…

se eu mal-te-vi
sua falta não sinto
estou bem-te-vi

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, a sensação da brisa suave tocando meu rosto me traz a clara noção de que não se pode continuar tentando agarrar o que simplesmente não se pode ter. Inspiração para um breve haicai:

entre os dedos
não se pode agarrar…
a brisa do mar!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Sol na copa das árvores

Raios de sol na pracinha

Bem-te-vi no pinheiro