Percepção 56 – Manhã de 26/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Algumas nuvens de grande altitude, uma leve gaze branca em todos os quadrantes não impedia a visão do céu azul claro. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das árvores da pracinha. Temperatura de 20,3C, às seis e vinte dessa trigésima oitava manhã de outono.

A passarada, aproveitando mais um dia espetacular, esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, quando se aproximou e pousou na folhagem do coqueiro. Alguns cliques registraram sua plumagem, enquanto a pomba, que só às vezes aparece, marcou sua presença na antena de TV.

O entregador de jornais já espalhou as manchetes do dia na calçada de entrada do prédio: Conflito de vaidades entre integrantes dos “Poderes” da República. Oportunidade para a prática de uma “Dieta de Notícias”. Se o tema principal é vaidade, vou direto para a revista com a moça bonita na capa…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a releitura de “Hai-Quase” com os escritos poéticos de Fernando Sérgio Lira e Sidney Wanderley, um poema curto de Fernando Sérgio chamou minha atenção, enquanto ouvia a algazarra da passarada:

sei esse barulho:
algazarra de pardais
ou hora do recreio

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Bem-te-vi no coqueiro

Pomba na antena de TV

Manchetes do dia

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Percepção 53 – Manhã de 23/04/2013

O dia amanheceu com o céu encoberto e com as ruas e calçadas secas. Flocos de nuvens brancas em todos os quadrantes permitiam a visão de apenas pequenos trechos de céu azul. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 21,9C, às seis e quarenta e sete dessa trigésima quinta manhã de outono.

A passarada esteve muito agitada nas primeiras horas de claridade. Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, quando se aproximou e pousou nas folhas do coqueiro e mereceu alguns cliques. E uma pomba que andava sumida deu as caras na antena de TV de um telhado próximo.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, um parágrafo chama minha atenção com o texto poético em que a vida é vista como continuação do nascimento, momento após momento, estando a pessoa com ela comprometida de modo ativo e criativo:

“O nascimento é exatamente como navegar num barco. Levantai as velas e remai […] navegai no barco e vosso navegar faz do barco o que ele é.”

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

Bem-te-vi no coqueiro

Bem-te-vi no coqueiro 2

Pomba na antena de TV

Percepção 43 – Manhã de 15/04/2013

O dia amanheceu com o céu totalmente encoberto e ainda com as ruas e calçadas molhadas. A chuva forte que caiu em vários momentos durante o dia e noite de ontem produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Quase nenhuma brisa pela ausência de movimento na folhagem das amendoeiras, enquanto as luminárias ainda permaneciam acesas. Temperatura de 21,8C, às seis e dezesseis dessa vigésima sétima manhã de outono.

Só algumas fragatas cruzavam o céu acinzentado, em pequenos grupos e a baixa altitude, enquanto os dois ônibus escolares recolhiam suas crianças sonolentas e encasacadas.

A passarada esteve muito discreta desde cedo. Só alguns cantos e trinados distantes. Provavelmente preocupadas com questões relacionadas à paz mundial e ao futuro da humanidade, diante da possibilidade de detonação de artefatos nucleares no Oceano “Pacífico”, nenhuma pomba foi avistada nas antenas de TV das redondezas. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, só foi ouvido ao longe e apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

deixo o passado,
em busca do caminho,
deixo o futuro…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua  e calçadas molhadas

Rua e calçadas com folhas secas

Poças d´água

Luminária acesa

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste