Percepção 25 – Manhã de 30/03/2013

O dia amanheceu com grande nebulosidade e com as ruas e calçadas sequinhas. A chuva leve que caiu no final da noite não se estendeu pela madrugada. A paisagem era a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu coberto com um tapete de nuvens que permitia ver trechos de céu azul e vento fraco do quadrante sudoeste. Temperatura de 23,5C, às seis e quarenta e cinco dessa décima primeira manhã de outono.

Apenas cerca de uma hora depois é que os primeiros raios de sol iluminaram as copas das árvores e a grama da pracinha, surgindo por trás da Pedra da Gávea e dos edifícios da vizinhança. É sempre motivo de alegria testemunhar esse momento e ver o verde das árvores e da grama ganhar vida, diante de nossos olhos.

A passarada esteve movimentada neste início de manhã. Vários cantos e trinados, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Cambaxirras, sabiás e andorinhas. Meu amigo bem-te-vi chegou cedo e apreciou a paisagem do galho mais alto do pinheiro. Seu canto forte ecoou várias vezes. Iiiiii! Beeeeem-te-viiiii! Apesar da minha forte conexão com essa criaturinha, desde que me mudei pra cá há alguns anos, ultimamente tenho procurado praticar o desapego desse meu amigo e do seu canto que me encanta. Tudo bem quando ele não vem ou não canta. Gosto de pensar que ele já está dentro de mim… E me encanto mesmo assim…

se eu mal-te-vi
sua falta não sinto
estou bem-te-vi

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, a sensação da brisa suave tocando meu rosto me traz a clara noção de que não se pode continuar tentando agarrar o que simplesmente não se pode ter. Inspiração para um breve haicai:

entre os dedos
não se pode agarrar…
a brisa do mar!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Sol na copa das árvores

Raios de sol na pracinha

Bem-te-vi no pinheiro

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Percepção 4 – Manhã de 12/03/2013

Depois de uma noite abafada, com quase nenhuma brisa, o dia amanhece com bastante nebulosidade. Temperatura de 27C, às seis e quarenta e cinco da manhã. Mas o sol aparece, aos poucos, saindo do seu esconderijo por trás da Pedra da Gávea, suponho, já que não consigo divisar essa cena do meu observatório no Jardim Oceânico.

A passarada, neste início de manhã, esteve em festa. Além do bem-te-vi, meu preferido, diversos outros cantos desconhecidos. Só a rolinha permaneceu silenciosa. Desejo entender mais desse assunto… Quem sabe o porteiro da guarita da Associação de Moradores não me ajuda nessa tarefa…

Tentei fazer uma filmagem para registrar o som da cantoria, mas não fui bem sucedido.

Mas registrei o bem-te-vi, camuflado entre as folhagens do coqueiro e, da varanda, lhe enviei minha saudação, com a métrica de um haicai, que compus em agosto de 2011 e postei na Garrafa 270:

eu vi o bem-te-vi,
que bem-me-vê de manhã…
bem-vindo dia!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Amanhecer de 12 de março

Registro de temperatura

Nebulosidade matinal

Rolinha silenciosa

Bem-te-vi camuflado