Percepção 62 – Manhã de 02/05/2013

O dia amanheceu com muito poucas nuvens no céu e com as ruas e calçadas sequinhas. Céu azul claro em todos os quadrantes com uma leve gaze branca de nuvens de altitude aqui e acolá. Uma leve brisa era percebida pelo movimento sutil na folhagem das árvores da pracinha. Temperatura de 22,5C, às sete e três dessa quadragésima quarta manhã de outono.

Diversos cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. A passarada, como sempre acontece quando não está chovendo, fez grande algazarra desde as primeiras horas de claridade. Uma rolinha foi quem se equilibrou nos fios de iluminação e chegou mais perto da varanda nas primeiras horas do dia enquanto o canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido das antenas dos telhados da vizinhança.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, um parágrafo chama minha atenção com uma visão holográfica do todo e parte:

“[…] há infindas formas e centenas de folhas de relva por toda a terra e, no entanto, cada folha de relva e cada forma em si mesma é a terra toda.”

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Panoramica

Rolinha no fio

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Percepção 11 – Manhã de 17/03/2013

Depois de três dias seguidos de chuva durante a madrugada, o dia amanheceu com as ruas e calçadas sequinhas. Sinal de noite seca e quente, típica do verão do Rio de Janeiro. Grandes coberturas de nuvens são avistadas tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste. Só o sul apresenta algo de céu azul, com um tapete de nuvens de algodão. Prenúncio de um dia abafado e com grande nebulosidade. Temperatura de 26C, às seis e cinquenta e dois da manhã.

Aparentemente, uma pequena multidão de guarda-chuvas que mantemos de prontidão na varanda, para pronto uso, permanecerá sem serventia, nessa manhã. Pensei comigo mesmo:

um guarda-chuva
aguarda a chuva… ah!
quem sabe quando?

A passarada aproveita a brisa da manhã, filtrada por entre os galhos e folhagens das árvores da pracinha e celebra a vida com seu canto. Meu amigo bem-te-vi me apresenta suas boas-vindas e retribuo com um olhar curioso. Onde estará exatamente que não o vejo?

A varanda está enfeitada com flores e acessórios que ficaram da festa de aniversário de minha filha mais nova, no dia de ontem. Um conjunto de lanternas japonesas desmontadas, esquecido no chão de cerâmica, se presta a um arranjo abstrato. Satisfeito com minhas experiências com a geometria, as formas e as cores, disse pra mim mesmo:

sobras da festa
círculos concêntricos
são só lanternas…

Enquanto isso, mãe e filhas correram atrás de uma bola colorida, ao lado dos círculos concêntricos do jardim…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens do jardim. Interrompi minhas reflexões, durante a leitura dos escritos do mestre Dogen, com uma pergunta vinda de algum cômodo da casa: Mozinho, vamos tomar nosso café?

Eduardo leal
Fotos de Eduardo leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Quadrante sudoeste

Ao sul do céu

Aguardando a chuva

Círculos concêntricos

Mãe e filhas, no jardim