Percepção 50 – Tarde de 20/04/2013

O vento sudoeste levou para longe a nebulosidade presente durante a manhã, e a tarde foi nada menos que espetacular. Céu azul profundo, sem nuvens em todos os quadrantes. Brisa fresca roçando minha pele e temperatura de 24,0C às cinco e um dessa tarde de outono.

Meu amigo bem-te-vi se aproximou várias vezes da varanda e, de uma antena de TV, me encantou com seu canto, enquanto continuava a releitura de “A lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen. Em alguns momentos parecia a encarnação do pássaro mítico kalavinka…

Assisti à Sessão Philos TV com a apresentação do pianista Joaquín Achuro no Teatro Real de Madri, a partir das dezesseis horas. Brisa fresca roçando meus ouvidos. Simplesmente emocionante. Perto das dezoito horas, ao cair da noite, inspiração para um breve haicai.

brisa noturna
roçando meus ouvidos
bater de asas…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Panoramica da tarde

Bem-te-vi na TV

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Percepção 49 – Manhã de 20/04/2013

O dia amanheceu com o céu parcialmente encoberto e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva forte que caiu durante a madrugada produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 21,9C, às seis e cinquenta e oito dessa trigésima segunda manhã de outono.

A passarada esteve muito discreta nas primeiras horas de claridade. Só alguns cantos e trinados distantes. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Consegui um clique do bem-te-vi quando ele observou a pracinha do ponto mais alto da mangueira.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

não pensar no bem,
em total abandono,
não pensar no mal…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas molhadas

Reflexos na poça d´água

Reflexos na poça

Quadrante sudeste

Setor sulsudeste

Setor sulsudoeste

Quadrante sudoeste

Panoramica

Bem-te-vi na mangueira

Percepção 43 – Manhã de 15/04/2013

O dia amanheceu com o céu totalmente encoberto e ainda com as ruas e calçadas molhadas. A chuva forte que caiu em vários momentos durante o dia e noite de ontem produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Quase nenhuma brisa pela ausência de movimento na folhagem das amendoeiras, enquanto as luminárias ainda permaneciam acesas. Temperatura de 21,8C, às seis e dezesseis dessa vigésima sétima manhã de outono.

Só algumas fragatas cruzavam o céu acinzentado, em pequenos grupos e a baixa altitude, enquanto os dois ônibus escolares recolhiam suas crianças sonolentas e encasacadas.

A passarada esteve muito discreta desde cedo. Só alguns cantos e trinados distantes. Provavelmente preocupadas com questões relacionadas à paz mundial e ao futuro da humanidade, diante da possibilidade de detonação de artefatos nucleares no Oceano “Pacífico”, nenhuma pomba foi avistada nas antenas de TV das redondezas. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, só foi ouvido ao longe e apenas as agitadas cambaxirras se aproximaram da varanda. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

deixo o passado,
em busca do caminho,
deixo o futuro…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua  e calçadas molhadas

Rua e calçadas com folhas secas

Poças d´água

Luminária acesa

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Percepção 42 – Manhã de 14/04/2013

O dia amanheceu com o céu totalmente encoberto e com as ruas e calçadas molhadas. A chuva forte que caiu ao início da noite de ontem produziu poças d´água que ainda refletiam o céu cinzento e as árvores da pracinha nesse início de manhã. Quase nenhuma brisa pela ausência de movimento na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 24,1C, às sete e quarenta e dois dessa vigésima sexta manhã de outono.

Só algumas fragatas voavam em pequenos grupos, a baixa altitude, contra o céu acinzentado enquanto as plantas da varanda e do jardim aproveitavam o ar húmido e fresco.

A passarada esteve muito discreta desde cedo. Só alguns cantos e trinados distantes. Nenhuma pomba avistada nas antenas de TV das redondezas. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, só foi ouvido ao longe. Nenhum clique de sua aproximação, nessa manhã.

Pracinha vazia, somente um cão, sem seu dono, esfregou prazerosamente seu pelo na grama molhada do jardim. Tenho uma daquelas mãozinhas japonesas, de madeira, para coçar minhas costas onde a mão não alcança. Mas o melhor mesmo é quando alguém nos toca onde a pele anseia pelo toque. Nesses momentos, esqueço-me de mim…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

esqueço de mim
nada disso é o eu
cá não há nenhum… (nem um…)

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas molhadas

Reflexos na poça d´água

Poça d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Plantas da varanda

Cão com coceira

Percepção 40 – Manhã de 12/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu claro e com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. O vento moderado de sudoeste que tem soprado nas últimas semanas levou para longe a camada de nuvens que se instalou no início da noite de ontem. No céu de azul ainda pálido, só nuvens de altitude ligeiramente cor de rosa iluminadas pelos primeiros raios de sol, em todos os quadrantes. Ar quase parado ao nível do mar, temperatura de 24,1C, às cinco e cinquenta e três dessa vigésima quarta manhã de outono.

As luzes da pracinha ainda estavam acesas, antes das seis horas da manhã, e a luminária iluminava as folhas e flores do algodoeiro. O entregador de jornais já deixou sua carga de informações alarmantes. Oportunidade para a minha “Dieta de Notícias”.

A passarada esteve muito animada desde cedo. Muitos cantos e trinados por todos os lados, quebrando o silêncio da madrugada. Andorinhas, bandos de cambaxirras, sabiás e tico-ticos cruzaram os céus em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e depois bem perto. Ele percorreu a copa do algodoeiro, das amendoeiras e do balançou-se levemente nas folhas do coqueiro. Nenhum clique dessa vez.

Várias folhas secas se desprenderam das amendoeiras, movidas pela brisa da madrugada e da manhã, dando trabalho para os porteiros dos edifícios para manter limpas suas respectivas calçadas e ruas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

passo a passo,
esforço sem desejo,
abro caminho…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Banco da amendoeira

Iluminado o algodoeiro

Pracinha deserta

Manchetes do jornal

Percepção 12 – Manhã de 18/03/2013

A chuva forte que despencou no início da noite de ontem se estendeu, mais fraca, pela madrugada. E o dia amanheceu com as ruas e calçadas molhadas. Reflexos das árvores nas poças d´água me lembram da metáfora da “lua numa gota de orvalho”, tão cara ao mestre Dogen. Céu nublado, carregado de nuvens cinzentas. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Um vento forte agita as copas das árvores indicando que a frente fria chegou e teremos um dia com grande nebulosidade e alguma chuva. Temperatura de 24,9C, às seis e vinte e nove da manhã.

Os guarda-chuvas de prontidão se animam na varanda, disputando qual deles será o primeiro a ser escolhido. O marrom, o azul, o branco?

A passarada, com a ventania, canta de maneira mais discreta. Meu amigo bem-te-vi se recolheu e outros pássaros me apresentam suas boas-vindas.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens em movimento com a ventania. Da leitura e reflexões dos escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

um ser-do-tempo…
o tempo em si mesmo
é um ser: tempo!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Reflexos

Aguardando a chuva

Percepção 11 – Manhã de 17/03/2013

Depois de três dias seguidos de chuva durante a madrugada, o dia amanheceu com as ruas e calçadas sequinhas. Sinal de noite seca e quente, típica do verão do Rio de Janeiro. Grandes coberturas de nuvens são avistadas tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste. Só o sul apresenta algo de céu azul, com um tapete de nuvens de algodão. Prenúncio de um dia abafado e com grande nebulosidade. Temperatura de 26C, às seis e cinquenta e dois da manhã.

Aparentemente, uma pequena multidão de guarda-chuvas que mantemos de prontidão na varanda, para pronto uso, permanecerá sem serventia, nessa manhã. Pensei comigo mesmo:

um guarda-chuva
aguarda a chuva… ah!
quem sabe quando?

A passarada aproveita a brisa da manhã, filtrada por entre os galhos e folhagens das árvores da pracinha e celebra a vida com seu canto. Meu amigo bem-te-vi me apresenta suas boas-vindas e retribuo com um olhar curioso. Onde estará exatamente que não o vejo?

A varanda está enfeitada com flores e acessórios que ficaram da festa de aniversário de minha filha mais nova, no dia de ontem. Um conjunto de lanternas japonesas desmontadas, esquecido no chão de cerâmica, se presta a um arranjo abstrato. Satisfeito com minhas experiências com a geometria, as formas e as cores, disse pra mim mesmo:

sobras da festa
círculos concêntricos
são só lanternas…

Enquanto isso, mãe e filhas correram atrás de uma bola colorida, ao lado dos círculos concêntricos do jardim…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens do jardim. Interrompi minhas reflexões, durante a leitura dos escritos do mestre Dogen, com uma pergunta vinda de algum cômodo da casa: Mozinho, vamos tomar nosso café?

Eduardo leal
Fotos de Eduardo leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Quadrante sudoeste

Ao sul do céu

Aguardando a chuva

Círculos concêntricos

Mãe e filhas, no jardim