Percepção 54 – Manhã de 24/04/2013

O dia amanheceu com o céu claro e com as ruas e calçadas secas. Algumas nuvens apenas no setor sul permitiam a visão do céu azul em todas as direções. Uma leve brisa podia ser percebida pelo movimento sutil na folhagem das amendoeiras. Temperatura de 20,6C, às seis e treze dessa trigésima sexta manhã de outono.

A passarada esteve muito agitada desde as primeiras horas de claridade. Cantos e trinados vindos das copas das árvores e dos telhados da vizinhança em todas as direções. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido bem de perto, enquanto se ocultava na folhagem do algodoeiro. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, a inspiração para um breve haicai:

respeitosamente,
penetrar corpo e mente,
flecha sem alvo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Panoramica

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Percepção 18 – Manhã de 24/03/2013

Mais uma madrugada chuvosa… O dia amanheceu nublado e com as ruas e calçadas molhadas. As poças d´água refletem os automóveis e as folhagens das árvores da pracinha. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Céu cinzento e quase nenhuma brisa. Temperatura de 25C, às seis e quarenta e nove dessa quinta manhã de outono.

A passarada, a exemplo da manhã de ontem, está silenciosa. Cantos e trinados emitidos com economia, do meio das folhagens. Meu amigo bem-te-vi não me abandona. Olá! Dormiu bem? Seja bem-vindo!

Desânimo de alguns, alegria de outros. No jardim da pracinha e nos vasos da vizinhança as plantas parecem agradecer pela chuva da madrugada. Vaidosas, orquídeas em festa admiram seu próprio reflexo no vidro da varanda.

Mais tarde, ainda pela manhã, tenho um encontro com uma árvore querida que foi brutalmente atacada em Copacabana, há algumas semanas. Alguns dos seus amigos, e entre eles me incluo, farão uma manifestação pacífica pela sua preservação. Cuidar do corpo é cuidar da mente. Cuidar da mente é cuidar do corpo. Farei um breve exame de corpo de delito, fotografando respeitosamente minha amiga mutilada, seu “corpo-mente”. E pretendo conhecer algumas pessoas de quem só tenho notícia pelas redes sociais. Amigos do Assacu da Pompeu Loureiro são meus amigos também.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens quase sem movimento, pela brisa muito suave. Da leitura e reflexões de “Zen no trabalho”, inspiração para um breve haicai:

cuidar do mundo,
cuidar do corpo-mente,
é cuidar de mim!

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Reflexos nas poças d´água

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Plantas da varanda

Orquídea na varanda