Percepção 35 – Manhã de 09/04/2013

O dia amanheceu com céu carregado de nuvens cinzentas, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Não choveu durante a madrugada. A paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu completamente nublado no quadrante sudeste e com trechos de céu azul começando a aparecer nos quadrantes sul e sudoeste. O vento moderado de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e reduzindo a cobertura de nuvens baixas. Temperatura de 24,1C, às seis e dezenove dessa vigésima primeira manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol acima das nuvens. A algazarra das cambaxirras me transportou para diversos cenários da infância. Já meu amigo bem-te-vi iluminou o dia com seu canto estridente e se aproximou bastante nesta manhã. Consegui um bom clique quando ele estava nas folhas do coqueiro. Parece que está ficando cada vez mais confiante com a minha proximidade e presença e, pela primeira vez, pousou no parapeito da varanda, ficando quase ao alcance da mão! Mas não fui suficientemente rápido para obter um instantâneo desse momento. Trocamos um longo olhar de curiosidade e ele alçou voo novamente. Motivo de celebração.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, olho no olho com o bem-te-vi, inspiração para um breve haicai:

curiosidade
no olhar do bem-te-vi
quando bem-me-viu

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Trechos de céu azul

Bem-te-vi no coqueiro

Percepção 34 – Manhã de 08/04/2013

O dia amanheceu com céu claro e poucas nuvens. Folhas secas das árvores da pracinha caíram na rua e nas calçadas conferindo um leve tom outonal à cena urbana. A paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu parcialmente nublado no quadrante sudeste e bem mais limpo nos quadrantes sul e sudoeste. O vento fraco de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e trazendo um azul sem nuvens por todos os lados. Temperatura de 24,7C, às seis e dezessete dessa vigésima manhã de outono.

A passarada esteve animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol, com dois bem-te-vis se destacando com seu canto estridente a partir da antena de TV.

O entregador de jornais já fez sua entrega e manchetes sempre preocupantes e sensacionalistas aguardam pelo meu corte implacável. Risco de racionamento de energia? Pode ser… Dieta de notícia neles. Só bem-tudo-vejo aquilo que me interessa de verdade.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, ouvindo o canto do bem-te-vi, inspiração para um breve haicai:

bem-te-vi alheio
às notícias do jornal
só bem-tudo-vê…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Folhas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Bem-te-vis na TV

Jornais do dia

Manchetes do jornal

Percepção 32 – Manhã de 06/04/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas molhadas. Algumas poças d´água persistiam apesar da chuva ter parado há muito tempo, durante a madrugada. A paisagem mudou várias vezes nas primeiras horas de claridade. Inicialmente nebulosidade moderada nos quadrantes sudeste e sul e nuvens mais carregadas no quadrante sudoeste. Mas o vento forte de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e as nuvens cinzentas foram substituídas por nuvens cor de rosa e brancas, de todos os tipos e em vários níveis de altitude. Temperatura de 25,6C, às cinco e cinquenta e cinco dessa décima oitava manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi se aproximou bastante e foi clicado no galho mais alto da amendoeira. Azulões e cambaxirras disputaram espaço e se alternaram nas folhagens do coqueiro.

Um cão e seu dono fizeram brincadeiras com uma bolinha, que era lançada e alegremente trazida de volta, recuperada do meio das folhagens da pracinha. Tanto um quanto o outro aproveitaram a manhã para dedicar toda a atenção que podiam um ao outro e àquela atividade.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões com a leitura de “Zen no trabalho”, alguns parágrafos chamaram minha atenção: “Quando tratamos alguém com indiferença, achamos que já sabemos tudo o que temos de saber sobre ele, que não há nada novo, que não é mais necessário lhe dar muita atenção… Começamos a tratar as coisas e pessoas com indiferença quando nós mesmos nos tratamos com indiferença.”

Inspiração para um breve haicai:

indiferença…
morremos por dentro… ah!
nada de novo…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua  e calçadas molhadas

Quadrante sudeste 1

Quadrante sudeste 2

Quadrante sudeste 3

Ao sul do céu 1

Ao sul do céu 2

Ao sul do céu 3

Ao sul do céu 4

Quadrante sudoeste 1

Quadrante sudoeste 2

Quadrante sudoeste 3

Quadrante sudoeste 4

Nuvens de altitude 1

Nuvens de altitude 2

Bem-te-vi na amendoeira 1

Bem-te-vi na amendoeira 2

Cadê a bolinha?