Percepção 46 – Manhã de 17/04/2013

O dia amanheceu com o céu azul e com as ruas e calçadas sequinhas. Algumas nuvens brancas nos quadrantes sudeste e sul e céu claro no quadrante sudoeste. Vento moderado de sudoeste, temperatura de 22,6C, às seis e trinta e um dessa vigésima nona manhã de outono.

Bandos de andorinhas e de cambaxirras fizeram grande algazarra no céu nas primeiras horas de claridade e a ressaca no mar podia ser ouvida ao longe, enquanto aves aquáticas rumavam em direção à arrebentação.

A passarada trouxe seus cantos e trinados para perto da varanda e o grito estridente do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido em todos os quadrantes. Cliquei meu amigo emplumado em uma antena de TV, junto com outro companheiro.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, o ruído da arrebentação, ao longe, ofereceu inspiração para um breve haicai:

da deusa Gaia
leve indisposição
ressaca na praia

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Setor sulsudeste

Setor sulsudoeste

Quadrante sudoeste

Panoramica

Bem-te-vis na TV

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Percepção 44 – Manhã de 16/04/2013

O dia amanheceu com o céu totalmente azul e com as ruas e calçadas ainda um pouco molhadas. A chuva leve que caiu em vários momentos durante o dia de ontem não se estendeu pela noite e madrugada. Nem uma única nuvem sequer no céu claro, enquanto uma brisa fresca fazia a folhagem das copas das árvores acenarem suavemente. Temperatura de 20,9C, às sete e treze dessa vigésima oitava manhã de outono.

Algumas fragatas cruzavam o céu tranquilamente enquanto pequenos grupos de andorinhas dominavam a pracinha fazendo voos rasantes nas copas das árvores.

A passarada esteve em festa desde cedo. Vários cantos e trinados por todos os lados. O grito estridente do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido em todos os quadrantes. Nenhum clique dos meus amigos emplumados nessa manhã.

As plantas da varanda pareciam advinhar o céu azul espetacular e se enfeitaram de clorofila e cores. Avencas, samambaias, flores rosadas da azaleia e uma folha novinha em folha, verdinha, de uma mudinha de pé de graviola, a mais nova da varanda.

novo em folha
o broto se desdobra
faz sua escolha

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, a queda de um coco na pracinha ofereceu inspiração para um breve haicai:

ruído oco…
tum! do coqueiro-anão,
queda do coco.

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas húmidas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Voo da fragata

Samambaias

Novinha em folha

Azaleia

Percepção 41 – Manhã de 13/04/2013

O dia amanheceu com o céu parcialmente encoberto, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. O vento moderado de sudoeste que tem soprado nas últimas semanas trouxe de volta uma camada de nuvens que se instalou a partir da noite de ontem e se intensificou durante a madrugada. Há trechos de céu de azul acompanhados de nuvens brancas de altitude e algumas nuvens mais baixas e mais acinzentadas iluminadas pelos primeiros raios de sol, em todos os quadrantes. Ar quase parado ao nível do mar, temperatura de 26,1C, às seis e dezessete dessa vigésima quinta manhã de outono.

Só uma fragata voava solitária, enquanto o entregador de jornais deixava sua carga de informações sensacionalistas. Hoje campanha publicitária na primeira página. Oportunidade para a prática da minha “Dieta de Notícias”.

A passarada esteve muito animada desde cedo. Muitos cantos e trinados por todos os lados, quebrando o silêncio da madrugada. Tenho observado que várias pombas, que andavam sumidas, voltaram a aparecer nas redondezas. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, foi ouvido ao longe e depois bem perto. Ele percorreu as árvores da vizinhança até aproximar-se bastante pousando nas folhas do coqueiro. Trouxe companhia. Um clique da conversa entre dois indivíduos registrou a visita.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, após a leitura de “A Lua numa gota de orvalho” com os escritos do mestre Dogen, inspiração para um breve haicai:

voo da ave
na imensidão do céu
manhã de outono…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Jornal matutino

Voo da fragata

Manchetes do jornal

Pomba na TV

Bem-te-vi no coqueiro

Conversa de dois bem-te-vis

Percepção 37 – Manhã de 11/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu carregado de nuvens cinzentas, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Mais uma madrugada sem chuva. Como tem acontecido nos últimos dias, a paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu completamente nublado em todos os quadrantes. O vento moderado de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e reduzindo a cobertura de nuvens baixas. As nuvens cinzentas foram substituídas por nuvens brancas e grandes trechos de céu azul surgiram por todos os lados. Temperatura de 24,6C, às seis e trinta e seis dessa vigésima terceira manhã de outono.

A passarada esteve muito silenciosa. Só alguns poucos cantos e trinados distantes, nos telhados da vizinhança. O canto do bem-te-vi, sempre o primeiro, só foi ouvido ao longe e pude avistá-lo em uma antena de TV. Um beija-flor azul marinho foi quem se aproximou e pousou na fiação da rua. Desapareceu da minha vista tão rapidamente quanto surgiu.

Correntes térmicas fizeram com que muitas aves pairassem em círculos a grande altitude, às vezes desaparecendo dentro das nuvens. Gaivotas, outras aves aquáticas e urubus economizaram energia enquanto apreciavam a paisagem do alto da manhã.

Um gavião sobrevoou as árvores próximas várias vezes justificando o sumiço da passarinhada. E um gato caçador patrulhou a grama e as folhagens da pracinha. Testemunhei, com espanto, quando ele capturou uma rolinha, em um pequeno arbusto, no terreno ao lado, em início de obras para dar lugar a um novo edifício.

Várias folhas secas se desprenderam das amendoeiras, movidas pela brisa da manhã, enquanto observava a paisagem.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, acompanhando o voo cego das folhas secas, inspiração para um breve haicai:

com desapego
se lançam no espaço
as folhas secas

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste antes

Quadrante sudeste depois

Ao sul do céu antes

Ao sul do céu depois

Quadrante sudoeste antes

Quadrante sudoeste depois

Bem-te-vi na TV

Gato caçador

Folhas secas

Percepção 36 – Manhã de 10/04/2013

O dia amanheceu novamente com o céu carregado de nuvens cinzentas, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Sem chuva durante a madrugada. A paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu completamente nublado no quadrante sudeste e com trechos de céu azul começando a aparecer nos quadrantes sul e sudoeste. O vento moderado de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e reduzindo a cobertura de nuvens baixas. Temperatura de 25,4C, às seis e trinta e seis dessa vigésima segunda manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol acima das nuvens. Grupos de cambaxirras e de andorinhas se encarregaram de organizar sua algazarra matinal. E o canto estridente do meu amigo bem-te-vi, sempre o primeiro, anunciou o novo dia. Sua aproximação curiosa permitiu vários cliques. Primeiro, no alto do pinheiro, e depois, nas folhas do coqueiro e no poste da pracinha. Dessa vez, vi quando ele hesitou e pousou no parapeito da varanda do andar de baixo, ao invés da minha.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, ouvindo o canto do bem-te-vi, inspiração para um breve haicai:

performático,
o canto do bem-te-vi
é lusófono…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas

Rua e calçadas 2

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Camadas de nuvens

Bem-te-vi no pinheiro

Bem-te-vi no coqueiro

Bem-te-vi no poste

Percepção 35 – Manhã de 09/04/2013

O dia amanheceu com céu carregado de nuvens cinzentas, mas com as ruas e calçadas sequinhas. Não choveu durante a madrugada. A paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu completamente nublado no quadrante sudeste e com trechos de céu azul começando a aparecer nos quadrantes sul e sudoeste. O vento moderado de sudoeste foi limpando o céu progressivamente e reduzindo a cobertura de nuvens baixas. Temperatura de 24,1C, às seis e dezenove dessa vigésima primeira manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol acima das nuvens. A algazarra das cambaxirras me transportou para diversos cenários da infância. Já meu amigo bem-te-vi iluminou o dia com seu canto estridente e se aproximou bastante nesta manhã. Consegui um bom clique quando ele estava nas folhas do coqueiro. Parece que está ficando cada vez mais confiante com a minha proximidade e presença e, pela primeira vez, pousou no parapeito da varanda, ficando quase ao alcance da mão! Mas não fui suficientemente rápido para obter um instantâneo desse momento. Trocamos um longo olhar de curiosidade e ele alçou voo novamente. Motivo de celebração.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, olho no olho com o bem-te-vi, inspiração para um breve haicai:

curiosidade
no olhar do bem-te-vi
quando bem-me-viu

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Rua e calçadas secas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Trechos de céu azul

Bem-te-vi no coqueiro

Percepção 33 – Manhã de 07/04/2013

O dia amanheceu parcialmente nublado e com as ruas e calçadas sequinhas. A paisagem foi mudando aos poucos nas primeiras horas de claridade. Inicialmente céu carregado em todos os quadrantes, mas o vento fraco de sudoeste foi espalhando as nuvens progressivamente trazendo trechos de céu azul. Temperatura de 25,6C, às seis e vinte e nove dessa décima nona manhã de outono.

A passarada esteve muito animada trazendo seus vários cantos e trinados aos primeiros raios de sol, aqui e acolá, por entre as folhagens e nos telhados da vizinhança. Meu amigo bem-te-vi foi clicado nas folhas do coqueiro. Muitos de seus amigos o acompanharam e fizeram grande algazarra na antena de TV. Eram mais de seis indivíduos e esvoaçaram por todas as árvores da pracinha. A rolinha assistiu a tudo de seu observatório na luminária, que é onde a cambaxirra também faz abrigo.

Uma moradora leu seu jornal no banco da pracinha, enquanto seu cão procurava chamar sua atenção… Ele explorou cada árvore e arbusto do jardim e correu atrás de rolinhas que se aventuraram passeando na grama, em busca de pequenos insetos.

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave na paisagem mutante, vista através dos vidros da varanda. Depois disso, durante o período de contemplação e reflexões, observando a dona e seu cão, inspiração para um breve haicai:

um olho no cão
e outro no jornal, na
manhã de outono.

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Rua e calçadas sequinhas

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Trechos de cáu azul a sudoeste

Trechos de céu azul ao sul

Bem-te-vi no coqueiro

Bem-te-vis na TV

Rolinha na luminária

Um olho no cão e outro no jornal