Percepção 14 – Manhã de 20/03/2013

A chuva intermitente, que se iniciou na noite de ontem, se estendeu pela madrugada. E o dia amanheceu novamente com as ruas e calçadas molhadas, mas com menos poças d´água do que ontem. O parapeito da varanda apresentava apenas algumas gotas de chuva, no momento em que um vizinho saía para o trabalho. A paisagem é a mesma tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste, passando pelo sul. Nuvens cinzentas por toda parte e nenhuma brisa, ar parado no nível do mar. Nuvens de altitude movem-se, lentamente, de leste para oeste. Prognóstico de mais um dia com grande nebulosidade, tarde abafada e possibilidade de chuva fraca. Temperatura de 22,8C, às seis e quatorze dessa primeira manhã de outono, estação que começa a partir das oito horas e quatro minutos segundo os especialistas.

O outono é uma das minhas épocas preferidas do ano, junto com a primavera. Temperaturas amenas e céu claro, em grande parte do dia e da noite. Que assim seja!

A passarada, com ausência de brisa, advinha o tempo do alto das árvores e conversa com a Natureza em sua linguagem sonora. Meu amigo bem-te-vi chegou bem cedo e me observa à distância, do alto da amendoeira. Seu canto me encanta. Um pássaro bem pequeno de cor marrom escuro e trinado complexo, cujo nome ainda desconheço, faz sua casa na luminária da pracinha. Observo que entra e sai, com sua companheira, várias vezes durante as primeiras horas da manhã. Haverá algum filhote lá dentro?

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens sem movimento, pela ausência de vento. Da leitura e reflexões do I Ching, que retomei a partir de ontem, inspiração para um breve haicai:

o que responde
não é senão aquele
que se pergunta…

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Registro de temperatura

Parapeito molhado

Saindo para o trabalho

Quadrante sudeste

Ao sul do céu

Quadrante sudoeste

Bem-te-vi na amendoeira

Ninho na luminária

Percepção 11 – Manhã de 17/03/2013

Depois de três dias seguidos de chuva durante a madrugada, o dia amanheceu com as ruas e calçadas sequinhas. Sinal de noite seca e quente, típica do verão do Rio de Janeiro. Grandes coberturas de nuvens são avistadas tanto no quadrante sudeste quanto no sudoeste. Só o sul apresenta algo de céu azul, com um tapete de nuvens de algodão. Prenúncio de um dia abafado e com grande nebulosidade. Temperatura de 26C, às seis e cinquenta e dois da manhã.

Aparentemente, uma pequena multidão de guarda-chuvas que mantemos de prontidão na varanda, para pronto uso, permanecerá sem serventia, nessa manhã. Pensei comigo mesmo:

um guarda-chuva
aguarda a chuva… ah!
quem sabe quando?

A passarada aproveita a brisa da manhã, filtrada por entre os galhos e folhagens das árvores da pracinha e celebra a vida com seu canto. Meu amigo bem-te-vi me apresenta suas boas-vindas e retribuo com um olhar curioso. Onde estará exatamente que não o vejo?

A varanda está enfeitada com flores e acessórios que ficaram da festa de aniversário de minha filha mais nova, no dia de ontem. Um conjunto de lanternas japonesas desmontadas, esquecido no chão de cerâmica, se presta a um arranjo abstrato. Satisfeito com minhas experiências com a geometria, as formas e as cores, disse pra mim mesmo:

sobras da festa
círculos concêntricos
são só lanternas…

Enquanto isso, mãe e filhas correram atrás de uma bola colorida, ao lado dos círculos concêntricos do jardim…

Na meditação de hoje, de olhos abertos, olhar suave nas folhagens do jardim. Interrompi minhas reflexões, durante a leitura dos escritos do mestre Dogen, com uma pergunta vinda de algum cômodo da casa: Mozinho, vamos tomar nosso café?

Eduardo leal
Fotos de Eduardo leal

Registro de temperatura

Quadrante sudeste

Quadrante sudoeste

Ao sul do céu

Aguardando a chuva

Círculos concêntricos

Mãe e filhas, no jardim